Regime tentou moldar o imaginário de gerações para que elas se tornassem trabalhadores socialistas radicais.

Após a Revolução Russa, o novo regime soviético estava dedicado a criar um modelo diferente de tudo que já havia existido até então.
Para isso, era preciso criar um novo homem, cidadãos verdadeiramente socialistas, ateus, livres do individualismo e fiéis à chegada do comunismo.
O trabalhador ideal da União Soviética deveria pensar coletivamente, enxergar o trabalho como um dever moral e colocar os interesses do Estado acima dos interesses pessoais.
Uma das ferramentas que o regime achou para construir uma geração que se adequasse a esse padrão foram os livros infantis.
Para os líderes bolcheviques, educar as crianças era uma forma de garantir o futuro do socialismo.
Nos primeiros anos após a revolução, a União Soviética enfrentava pobreza, crise econômica e altos índices de analfabetismo.
Vladímir Lênin acreditava que um país socialista só poderia sobreviver se tivesse uma população instruída e cooptada por seus ideais.
Por isso, o governo investiu fortemente em campanhas de alfabetização e na criação de uma nova cultura popular.
Dentro desse esforço, os livros infantis passaram a ensinar valores ligados ao coletivismo, ao trabalho e à luta de classes.
As histórias procuravam mostrar às crianças quem eram os “heróis” e os “vilões” da nova sociedade.
Operários, camponeses e trabalhadores apareciam como modelos positivos. Já burgueses, religiosos e capitalistas eram retratados como figuras egoístas ou decadentes.
A literatura infantil da época misturava experimentação artística, propaganda política e educação moral.
Os livros utilizavam linguagem dinâmica, ilustrações geométricas e cores fortes influenciadas pelas vanguardas russas.
Conheça a ditadura de Lênin com o segundo episódio do épico História do Comunismo. Assista completo abaixo:
Um dos principais nomes desse período foi Vladímir Maiakóvski, conhecido como o “Poeta da Revolução”.
Em 1927, ele afirmou que era preciso oferecer às crianças “uma nova percepção do mundo”.
Maiakóvski defendia que os livros infantis deveriam formar politicamente os jovens sem abandonar a imaginação e a criatividade.
Sua obra mais conhecida nesse campo foi Conto sobre Piétia, Um Menino Gordo, e Sima, Que Era Esbelto.
A história apresenta dois personagens opostos. Um deles é Piétia, filho de um burguês, ele é marcado por características como gula e egoísmo.
Já Sima é retratado como o filho de um proletário, ele é uma criança humilde, trabalhadora e virtuosa.
Ao longo do poema, Piétia come até literalmente explodir e os alimentos que estava em sua barriga alimenta Sima e os demais proletários.
A mensagem política era nítida e explícita, uma das estrofes chega a falar para as crianças lutarem contra a burguesia:
“Crianças, amem o trabalho/ como aqui fora narrado./ Defendam/ os inocentes/ das garras dos burgueses.”
Maiakóvski recebeu críticas na época por humor exagerado e textos agressivos demais para crianças.
A chegada de Josef Stalin ao poder em 1927 mudou os paradigmas do regime e junto com isso a literatura infantil.
Conheça o regime de Stalin com o terceiro episódio do épico História do Comunismo. Assista completo abaixo:
Os primeiros anos da revolução tinham sido marcados por experiências artísticas ousadas e diferentes visões pedagógicas.
No governo Stalin, a literatura infantil continuou sendo usada politicamente, mas agora com um tom mais disciplinador e nacionalista.
Os livros deixaram de valorizar a experimentação criativa e passaram a defender patriotismo, ordem e obediência ao Estado soviético.
Eles seguiam à risca o estilo artístico conhecido como “Realismo Soviético”, o único permitido no país.
Esse modelo buscava retratar exclusivamente os símbolos do país, retratando trabalhadores, histórias patrióticas e os líderes do regime.
Histórias fantasiosas ou lúdicas passaram a ser vistas com desconfiança, já que o governo temia que elementos imaginativos atrapalhassem a formação do pensamento materialista nas crianças.
A mudança também aparece visualmente nos livros. As obras dos anos 1920 tinham composições diagonais, formas abstratas e sensação de movimento.
A partir da segunda metade dos anos 1930, os livros passaram a usar imagens mais realistas.
Esse caso é só mais um exemplo de como a cabeça das crianças é parte crucial da guerra cultural.
Preocupada com as futuras gerações, a Brasil Paralelo lançou uma série animada infantil chamada Pindorama.
O desenho mostra as aventuras de figuras importantes da história brasileira, como Pedro Álvares Cabral, para que as crianças aprendam a amar seu país desde cedo. Assista ao primeiro episódio completo:
Clique aqui e garanta seu acesso completo a todas as produções originais por apenas R$10,90 por mês.