Em 2013 ele ainda precisava trabalhar em uma pequena borracharia para se sustentar. Em 2026, é um dos maiores campeões do UFC.

Trump anunciou uma luta de UFC que acontecerá no jardim da Casa Branca em 14 de julho, dia de seu aniversário.
O anúncio foi feito ao lado do lutador Alex Poatan, que foi elogiado por sua força pelo presidente:
“Um dos maiores socos da história do esporte e eu apenas apertei a mão dele. Ele tem uma mão grande, uma mão poderosa”.
Poatan enfrentará o francês Ciryl Gane pelo cinturão interino dos pesos pesados no evento organizado para as celebrações da independência americana.
Com uma trajetória digna de um filme, a vida de Poatan foi marcada pela superação.
Alexandro Pereira nasceu em 1987, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Filho de um pedreiro e de uma dona de casa, cresceu no bairro Batistini.
Ainda criança, com cerca de 8 anos de idade, já ajudava o pai como servente de pedreiro.
O atleta abandonou os estudos ainda na oitava série, após repetir de ano quatro vezes na escola e conseguir um emprego na borracharia do vizinho:
“Trabalhei desde os 12. Pneus de carro, caminhão, moto, trator, o que tivesse. Se eu fosse um bom lutador como era um bom borracheiro, seria o melhor”, disse em entrevista.
No trabalho, ele começou a beber após ser incentivado por alguns de seus colegas, como contou:
“A borracharia era um lugar de conversa. Os amigos passavam, ofereciam uma dose. E eu ia bebendo. Virou hábito.”
Aos 16 anos ele já bebia diariamente. Poatan queria largar o álcool, ficava alguns meses sóbrio, mas sempre acabava voltando.
O ambiente em que cresceu e a falta de perspectivas eram verdadeiras barreiras para que largasse o vício:
“A oficina, o bar, os amigos. Eu bebia porque todo mundo bebia e porque era fácil, era o que tinha. Sem estudos e sem perspectivas, acreditava que a borracharia seria o destino final. Eu não imaginava nada. Não tinha sonho, não tinha plano. Só trabalhava e bebia.”
Tudo isso mudou durante uma partida de futebol, após levar um chute de um jogador do outro time e revidar com alguns socos.
As pessoas que assistiram disseram que ele levava jeito para combate e recomendaram que ele buscasse uma academia.
Poatan treinou um mês e ganhou um campeonato de boxe chinês, no entanto, saiu infeliz por causa dos ferimentos:
“Treinei 30 dias e fui campeão. Ganhei, mas me machuquei bastante. Pensei: ‘Isso não é pra mim’. Parei e voltei pra borracharia.”
Ele só voltaria a treinar quando tentou parar de beber e sentia a necessidade de ocupar a mente com alguma atividade.
Foi seu treinador, Belocqua Wera, que despertou a curiosidade do atleta pelas raízes indígenas de sua família:
“Quando eu comecei a treinar kickboxing, o meu primeiro professor sempre gostou da cultura indígena. Quando eu cheguei em casa, eu perguntei e minha mãe disse que os avós dela e do meu pai eram índios. E eu fiquei querendo resgatar essa origem”, falou em uma entrevista.
Antes de começar, ele nem sabia que seus avós pertenciam à etnia Pataxó, nativa do Sul da Bahia e Norte de Minas.
Ao saber sobre as origens de seu aluno, o técnico cunhou o apelido, que significa “mão forte” ou “mão de pedra” em tupi.
Poatan começava a avançar no mundo das lutas, porém levou aproximadamente quatro anos para deixar de vez o álcool.
A mudança definitiva veio em 2012, após uma derrota no kickboxing para o holandês Jason Wilnis.
Na ocasião, Poatan percebeu que o vício estava impedindo sua evolução dentro do esporte.
“Assumi pra mim mesmo que não dava pra controlar. Parei. Desde 2012 nunca mais encostei na bebida.”
A decisão marcou uma virada em sua carreira. Pouco tempo depois, começou a acumular títulos no kickboxing. Foi campeão paulista, brasileiro e pan-americano.
O desempenho chamou atenção da Confederação Brasileira de Kickboxing e acelerou sua ascensão no esporte.
Depois de anos no Glory, principal organização de kickboxing do mundo, Poatan migrou para o UFC.
Sua ascensão foi rápida. Em 2022, derrotou Sean Strickland por nocaute e garantiu a disputa de cinturão contra Adesanya no Madison Square Garden.
Vitórias em sequência transformaram o brasileiro em uma das principais estrelas do UFC. Mesmo sem falar inglês fluentemente, conquistou espaço entre os lutadores mais populares da organização.
Em menos de três anos no UFC, Poatan acumulou cinturões, liderou grandes eventos da organização e se tornou um dos nomes mais importantes do esporte.