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Anvisa mantém recomendações contra a Ypê mesmo após a Justiça suspender retirada de produtos

Questão se tornou polêmica nas redes sociais porque a família dona da empresa apoiou Bolsonaro.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Detergentes Ypê estão causando polêmica
Fonte da imagem: Divulgação

Esta semana, a Anvisa pediu a retirada de diversos produtos de limpeza da marca Ypê, o que tem causado polêmica nas redes sociais.

Entre os problemas apontados estão falhas nos sistemas de produção, garantia e controle de qualidade.

A fabricante entrou com um recurso na Justiça, o que suspendeu a retirada dos produtos com lote terminado em 1 dos mercados.

Apesar dessa situação jurídica, o órgão emitiu uma nota na qual defende sua posição anterior e não recomenda o uso dos produtos:

Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança. É de responsabilidade da empresa orientar cidadãs e cidadãos, por meio do seu Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), sobre procedimentos de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou outras providências cabíveis.”

Entenda a polêmica envolvendo a Ypê

A suspensão começou na quinta-feira passada (7), após fiscais visitarem uma fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo a agência, os técnicos encontraram “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”.

As imagens anexadas ao relatório da inspeção mostram equipamentos com sinais de corrosão usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos.

Os fiscais também relataram problemas no estado de conservação de tanques usados na manipulação dos produtos.

Os fiscais também relataram problemas no estado de conservação de tanques usados na manipulação dos produtos.

Em outro trecho do documento, a inspeção afirma que fiscais encontraram restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.

A Anvisa afirmou ainda que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados fora da especificação microbiológica em 80 lotes de produtos acabados.

Segundo o relatório, alguns testes identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.

De acordo com a agência, os lotes não teriam sido reprovados pelo controle de qualidade e permaneceram armazenados aguardando “definição financeira”.

Para os fiscais, o conjunto das irregularidades configura “um quadro crítico” de “risco sanitário elevado”.

A principal preocupação da agência é a possibilidade de contaminação nos produtos, isso significa a presença de bactérias, fungos ou outros microrganismos.

A decisão da Anvisa determinou o recolhimento de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados na unidade de Amparo. A medida vale apenas para lotes terminados com o número 1.

O que diz a Ypê?

Em nota, a empresa negou que seus produtos ofereçam riscos aos consumidores e afirmou possuir “fundamentação científica robusta”, baseada em testes e laudos técnicos independentes, indicando que os produtos são seguros.

A fabricante também declarou que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos e que mantém controles internos para identificar e descartar itens fora do padrão.

Segundo a empresa, as áreas mostradas nas imagens não possuem contato direto com os produtos e fazem parte de um “plano robusto de melhorias” alinhado com a Anvisa desde o ano passado.

A Ypê também informou que apresentou recurso administrativo contra a decisão da agência.

Esse recurso suspendeu automaticamente os efeitos da proibição até nova análise da diretoria colegiada da Anvisa.

Mesmo assim, a agência manteve a recomendação para que consumidores evitem utilizar os produtos dos lotes afetados.

Leia a nota completa abaixo

"A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor.

A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível.

A Ypê reafirma seu compromisso com a qualidade, a segurança e a transparência e permanece à disposição da autoridade sanitária, da imprensa e dos consumidores para quaisquer esclarecimentos”.

Como o caso virou uma disputa política

A discussão ultrapassou o debate técnico sobre vigilância sanitária e ganhou dimensão política.

Nas redes sociais, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender a empresa e questionar a atuação da Anvisa.

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou vídeos usando produtos da marca e incentivando consumidores a comprarem itens da Ypê.

Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira”, afirmou.

Ele também disse que trabalhou na empresa e classificou a situação como “uma grande injustiça”.

Michelle Bolsonaro também chegou a publicar fotos nas quais aparece lavando a louça com o detergente.

O senador Cleitinho Azevedo sugeriu que a medida poderia ter sido motivada por questões políticas.

Ele afirmou que apenas um lote estava contaminado e destacou que a empresa havia apoiado a campanha de Bolsonaro.

A família Beira, que controla a Ypê, realizou doações milionárias durante as eleições presidenciais de 2022.