Documento promete reduzir tarifas e criar um mercado comum com 718 milhões de consumidores.
.jpg&w=3840&q=75)
Desde o início do mandato de Lula, em 2023, o presidente Francês, Emmanuel Macron, tem buscado se aproximar do governo brasileiro.
Um dos momentos mais marcantes dessa aproximação diplomática foi o ensaio fotográfico dos dois chefes de Estado andando de mãos dadas na Floresta Amazônica.

As imagens viralizaram nas redes sociais, dando origem a uma série de memes. A relação chegou a ser classificada como um “bromance” diplomático.
Apesar dos dois demonstrarem uma relação de amizade pessoal, a França tem sido um dos principais opositores ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação entre a UE e o Mercosul.
Caso seja aprovado, o tratado deverá reunir cerca de 718 milhões de consumidores e um PIB conjunto estimado em US$22 trilhões, equivalente a R$117,7 trilhões.
O acordo vem sendo negociado há aproximadamente 26 anos e foi aprovado pelo Conselho Europeu hoje (9).
A França votou contra o avanço no projeto, juntamente com uma série de países como:
A principal crítica do governo francês é que o acordo pode prejudicar seus produtores rurais ao permitir a entrada de produtos sul-americanos no mercado europeu.
Os países do Mercosul têm uma grande produção agrícola e suas exportações tendem a ser mais baratas do que a nacional.
Agricultores franceses têm pressionado o governo e feito protestos contra a assinatura do acordo.
Em uma ação, eles chegaram a despejar esterco na casa de praia de Macron. A categoria também tem utilizado seus tratores para travar as ruas.
Conheça o lado pouco falado pela mídia do polêmico presidente francês com o especial de Face Oculta. Clique aqui para assistir.
A oposição francesa também está buscando derrubar o governo após a aprovação do acordo no Conselho Europeu.
O partido de esquerda França Insubmissa entrou com uma moção de censura, instrumento que demonstra falta de confiança no governo e pode forçar a renúncia do primeiro-ministro e do gabinete.
A sigla de direita Reunião Francesa, de Marie Le Pen, também afirmou que deverá apresentar uma moção semelhante.
Na próxima semana, os países do Mercosul deverão assinar o tratado formalmente durante uma reunião no Paraguai, que atualmente preside o bloco.
O passo seguinte é a ratificação no Parlamento Europeu, etapa que está prevista para acontecer até maio do ano que vem.
Uma vez que o órgão aprove o acordo, ele deverá ser votado internamente pelo legislativo dos 27 países da União Europeia.
No entanto, a França não pode barrar o acordo, já que o Legislativo de cada país analisa questões como normas ambientais e cooperação política. A parte comercial é de competência do bloco.
Apesar disso, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que pode tomar medidas unilaterais caso a agricultura e pecuária do país se sintam ameaçados:
"A França fez-se ouvir… Não hesitaremos em adotar unilateralmente uma série de medidas assim que considerarmos que nossos setores estão em perigo".
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.