Capital do Irã tem estação em homenagem à Virgem Maria

O Irã é uma ditadura xiita, mas reconhece os cristãos em sua Constituição. Mesmo assim, o país é considerado o 9º lugar do mundo que mais persegue os cristãos pela ONG Portas Abertas.
Apesar dessa situação, o regime se esforça para transmitir a imagem de que respeita a religião.
Um dos exemplos mais claros disso é a estação de metrô Maryam Moghaddas na capital Teerã. O nome pode ser traduzido para Santa Maria em português.
O local está repleto de imagens e representações de Nossa Senhora e de Jesus Cristo. Veja duas das artes abaixo:

Na cultura islâmica, Jesus é considerado um dos profetas mais importantes e sua mãe é vista com respeito e admiração.
No entanto, Tina Tarigh Mehr, a artista por trás da estação, afirma que seu trabalho representa a harmonia e coexistência entre cristãos e muçulmanos no país:
"Cada elemento que você vê nesta estação foi projetado para que, quando alguém passar por aqui, entenda que nosso objetivo é respeitar outras religiões, o cristianismo em particular… Este pássaro é um símbolo do Espírito Santo e oliveira é um símbolo de paz e amizade", disse à AFP.
As regras para que as igrejas possam funcionar são rígidas e incluem proibições para pregações em persa e contato com muçulmanos.
Isso porque a apostasia, que significa mudar de religião, é considerada um crime pelas leis islâmicas.
O crime não está na lei iraniana, o que pode ser contornado pelo Artigo 167 da Constituição.
A lei permite que juízes dos tribunais religiosos apliquem a lei islâmica em caso de ausência de normas do Estado.
Mesmo com o recurso, mais de 70% das acusações contra cristãos são baseadas no Artigo 500 do Código Penal iraniano, que trata de “propaganda contra o Estado”.
Ano passado, dois cristãos convertidos foram condenados a 12 anos de prisão por levar bíblias.
Segundo a ONG Portas Abertas, o tribunal islâmico que julgou o caso entendeu que eles cometeram os crimes de "promover crenças cristãs desviantes" e "contrabando de mercadorias proibidas".
Além da prisão, eles foram obrigados a pagar dez vezes o valor das bíblias que transportavam e uma multa de R$5.420.
Um relatório divulgado pela Article 18 afirma que 96 cristãos estavam presos em 2024. As penas somadas chegavam a mais de 260 anos de prisão.
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