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O que aconteceu com as Casas Bahia? Entenda por que a empresa pediu recuperação judicial

Quase 300 lojas da empresa já foram fechadas em meio a crise econômica.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Loja das Casas Bahia, empresa está quebrando veja o motivo
Fonte da imagem: Reprodução

Uma das empresas mais importantes do varejo brasileiro entrou com um pedido de recuperação judicial

As Casas Bahia atravessam uma das maiores crises de sua história. A companhia anunciou um prejuízo de R$10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e agora busca reorganizar uma dívida de R$17,3 bilhões.

O pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e ainda precisa ser aceito pela Justiça

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras

Diferentemente da falência, ela permite que a companhia continue funcionando enquanto apresenta um plano para renegociar suas dívidas. 

O objetivo é preservar a atividade da empresa, os empregos e a continuidade dos negócios.

Segundo a Casas Bahia, a crise foi agravada por uma combinação de fatores. Entre eles estão questões como:

  • taxas de juros elevadas;

  • restrição ao crédito;

  • aumento dos custos;

  • pressão sobre o consumo;

  • necessidade de mais capital para manter a operação.

O pedido de recuperação também afeta outras nove empresas do grupo, incluindo a rede Ponto Frio, a Bartira e empresas de logística, tecnologia e comércio eletrônico.

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Prejuízo cresceu 18 vezes em um ano

O pedido foi apresentado um dia após a divulgação do balanço financeiro da companhia

Entre abril e junho deste ano, a empresa registrou prejuízo líquido de R$10,1 bilhões. No mesmo período de 2025, as perdas haviam sido de R$555 milhões.

Mesmo assim, os resultados mostram que a empresa enfrenta dificuldades há vários trimestres. Com esse balanço, a Casas Bahia acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo.

Além disso, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$1,278 bilhão, reflexo do custo de capital no país.

Ao mesmo tempo, a receita líquida cresceu 1,6%, alcançando R$6,97 bilhões, mas o aumento das vendas não foi suficiente para compensar os custos e despesas da operação.

Quase 300 lojas fecharam e milhares de funcionários foram demitidos. Como parte da tentativa de reduzir despesas, a companhia vem diminuindo sua estrutura.

Até o fim de junho, 298 lojas haviam sido fechadas. A empresa informou que a decisão levou em consideração fatores como desempenho operacional, necessidade de capital e retorno econômico de cada unidade.

O que pode acontecer agora?

O pedido de recuperação judicial ainda será analisado pela Justiça. Se for aceito, a empresa deverá apresentar um plano detalhando como pretende renegociar sua dívida de R$17,3 bilhões com bancos, fornecedores e demais credores.

Caso esse plano seja aprovado pelos credores e homologado pela Justiça, a companhia poderá continuar operando enquanto cumpre as novas condições de pagamento.

Se o plano não for aprovado ou não for cumprido, o processo poderá evoluir para medidas mais severas previstas na legislação, incluindo a decretação de falência.

A recuperação judicial representa, portanto, uma tentativa de reorganizar as finanças da empresa para preservar suas atividades

O desfecho dependerá das negociações com credores e das decisões da Justiça nos próximos meses.