Após classificar o programa como não recomendado para menores de 12 anos, o Ministério da Justiça voltou atrás e o liberou novamente para todos os públicos.

Há anos, os Desenhos Bíblicos fazem parte das manhãs de domingo da Record Kids. Mas, recentemente, a animação virou alvo de uma decisão curiosa do Ministério da Justiça, que passou a recomendar o programa apenas para maiores de 12 anos.
Para justificar a mudança, o ministério apontou quatro elementos presentes no desenho: atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito.
Pouco tempo depois, o órgão voltou atrás e liberou a animação para todas as idades.
O episódio chama a atenção quando comparado a outras produções. Afinal, enquanto um desenho bíblico chegou a ser considerado impróprio para menores de 12 anos, o carnaval recebeu uma classificação mais branda, mesmo com conteúdos que podem não ser adequados para crianças.
Outra régua parece estar sendo usada com outras produções. Na transmissão dos desfiles das escolas de samba do Rio, a classificação exibida é de 10 anos.

Em comparação, temas religiosos também já foram à avenida mais de uma vez. Em 2019, na Gaviões da Fiel, em São Paulo, um integrante fantasiado de Lúcifer arrastava pelo chão outro vestido de Jesus.
A escola disse que a cena representava o embate entre o bem e o mal, e a Justiça paulista negou um pedido de indenização por entender que se tratava de expressão artística.
Em fevereiro deste ano, a Acadêmicos de Niterói levou à Sapucaí um desfile em homenagem a Lula.
A ala "Neoconservadores em Conserva" vestiu os integrantes de latas de conserva com referências ao agronegócio, a grupos evangélicos e à "dita família tradicional", nas palavras da própria escola.
Em 2019, o especial de Natal do Porta dos Fundos na Netflix retratou Jesus de forma satírica e provocou reação de católicos e evangélicos. A produção recebeu classificação de 14 anos, apenas dois anos acima da faixa dada agora aos Desenhos Bíblicos.
Um desembargador do Rio mandou retirar o filme do ar, mas o ministro Dias Toffoli, do STF, derrubou a decisão.
"Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã".
Hoje, há critérios criados pelo Governo que medem a presença de cenas de violência, drogas ou sexo, mas não considera a intenção da obra.
Assim, passagens bíblicas com guerras e mortes podem pesar na classificação, enquanto uma sátira à fé sem esse tipo de cena não se encaixa em nenhum critério.
Esses mesmos critérios ajudam a dimensionar a decisão. Pelo Guia Prático da Classificação Indicativa, nudez e relação sexual já são admitidas em produções para 14 anos.
Na faixa de 16 anos entram consumo de drogas ilícitas, relação sexual intensa, suicídio e tortura.
Nos maiores streamings do país, conteúdos com esses elementos estão a poucos cliques do controle remoto, muitas vezes na mesma tela em que as crianças escolhem desenhos.
Já a faixa de 12 anos, que foi aplicada aos Desenhos Bíblicos, é a mesma usada para cenas de agressão física e consumo de drogas lícitas, como o álcool.
Diante dessas regras, a classificação indicativa ajuda, mas não substitui o olhar dos pais sobre o que os filhos assistem.
O streaming da Brasil Paralelo conta com filmes escolhidos pela própria equipe da BP. O catálogo reúne clássicos premiados, grandes histórias do cinema e desenhos para as crianças, todos selecionados pelos critérios de curadoria da casa.
Cada título vem acompanhado de análises de professores que explicam por que aquela obra vale o seu tempo.
Durante a Black November, a assinatura sai por R$9,95 por mês.
Clique aqui e assista sem medo com a sua família.