Segurança pública5 min de leitura

CEO do crime? Chefe do Comando Vermelho dita as regras da facção em todo o país de dentro da cadeia

Mensagens interceptadas mostram Samurai mediando conflitos da facção em Rondônia, Mato Grosso e outros estados usando celular na cela.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Usuário usando o celular dentro da prisão
Fonte da imagem: Gerada por IA

Mensagens trocadas entre chefes do Comando Vermelho revelam que a facção passou a contar com uma espécie de "diretor de governança corporativa" para coordenar suas atividades em todo o país, mesmo dentro de um presídio.

A função era exercida por Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai, condenado a mais de 50 anos de prisão.

Enquanto estava preso na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, no Complexo de Gericinó, ele mediava conflitos da facção usando celulares que entravam em sua cela.

O papel de Samurai ficou evidente numa troca de mensagens do fim de fevereiro de 2025, obtida pelo jornal O Globo.

Na ocasião, um integrante do alto escalão do CV em Rondônia relatou a Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha, um episódio de agressão contra membros da facção cometido por rivais do PCC dentro de uma penitenciária de Porto Velho.

"Os irmãos de Rondônia se encontram indignados com esses camaradas que não honram a palavra e querem uma solução", escreveu o rondoniense.

A resposta de Doca foi:

"Temos que colocar o Samurai na linha para resolver logo essas paradas".

Dias depois, o integrante de Rondônia confirmou que a mediação havia acontecido: "Samurai passou a visão aqui."

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"Diretor de governança corporativa" do CV

Segundo um relatório, essa atuação de Samurai como mediador evidencia a existência do que os investigadores chamam de "diretor de governança corporativa de conflitos regionais" dentro da estrutura do CV.

A centralização de poder é resultado de uma mudança na forma como a facção se organiza.

A partir de 2016, após um rompimento com o PCC, o Comando Vermelho passou a se expandir pelo Brasil por meio de acordos com grupos criminosos locais, como a Família do Norte, no Amazonas.

No início, esses grupos regionais mantinham autonomia e não respondiam diretamente à cúpula do Rio.

Segundo investigadores, o contato mais próximo entre criminosos de diferentes estados, muitos deles refugiados em favelas cariocas, foi o que permitiu essa centralização.

As mensagens interceptadas também mostram Doca e Samurai discutindo quase diariamente os efeitos de uma trégua fechada entre CV e PCC no início de 2025, acordo que durou menos de três meses e foi rompido em abril, após rixas em diferentes estados.

Em novembro do ano passado, após pedidos das polícias Civil, Militar e Federal, Samurai foi transferido do Complexo de Gericinó para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde cumpre pena até hoje.

A Brasil Paralelo investigou a crise de segurança brasileira em uma das maiores produções sobre o tema, a série Entre Lobos.

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