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Descubra como a China transformou ursos panda em uma ferramenta de geopolítica

Estratégia chamada de “diplomacia do panda” já é executada há décadas.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Diplomacia dos Pandas: Xi Jinping anuncia que vai levar animais para os EUA
Fonte da imagem: Reprodução

Em viagem para os Estados Unidos, Xi Jinping se encontrou com Trump para uma reunião especial entre as lideranças dos dois países mais poderosos do mundo.

Após a conversa entre os governantes dos países mais poderosos do mundo, Xi Jinping levantou um tópico inesperado, ursos panda.

O líder chinês fez questão de dizer que os animais serão enviados aos EUA como prova da boa-fé na relação entre as nações:

"O panda-gigante tem sido um enviado da amizade entre chineses e americanos. Tenho uma boa notícia para vocês: em poucos dias, dois pandas, Ping Ping e Fu Shuang, chegarão à sua nova casa, o Zoológico de Atlanta, onde irão encontrar o povo americano".

A chegada de Ping Ping e Fu Shuang acontece em um momento no qual a relação entre os países parece estar voltando a se estabilizar após anos de crise e guerra comercial.

Existem registros de líderes chineses presenteando aliados com pandas desde a Dinastia Tang, que governou entre 618 a 907 d.C.

No entanto, eles são peças de uma estratégia política internacional que a China usa desde o regime de Mao Tsé Tung.

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A diplomacia do panda

Os primeiros registros de pandas enviados a aliados políticos chineses foi em 1957, quando o país enviou os ursos Ping Ping e Qi Qi para a URSS.

Na ocasião, os animais foram um presente para celebrar o 40º aniversário da Revolução de Outubro na Rússia.

Eles eram parte de um esforço chinês para demonstrar boa vontade em uma época na qual a relação entre os dois países começava a azedar.

No ano anterior, Nikita Kruschev trouxe à tona os crimes de Stalin e começou a destruir seu legado. Mao via essas iniciativas com desconfiança.

As divergências ideológicas e políticas levariam os dois países a romperem suas relações em 1960.

A China também enviou ursos panda para a Coreia do Norte, porém o uso deles como ferramenta política chegaria a um novo patamar na década de 1970.

Poucos meses após a viagem de Nixon ao país e a aproximação entre China e EUA, o regime enviou os pandas Hsing-Hsing e Ling Ling.

Em 1972, a China também enviou os pandas Kang Kang e Lan Lan para o Japão após normalizar as relações.

O presente se transformou em empréstimo e é utilizado até os dias de hoje como ferramenta diplomática para demonstrar aproximação.

Além disso, os animais servem como ferramenta de soft power, estratégia traduzida para poder brando em português.

O objetivo é que um país amplie sua influência internacional não por meio da força militar, mas através da propagação de sua cultura, entretenimento e valores.