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Consumo rápido de vídeos aumenta o tédio em jovens, aponta Sociedade Americana de Psicologia

Um relatório publicado na segunda-feira aponta que ver apenas trechos curtos de conteúdos pode afetar a saúde mental.

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Redação Brasil Paralelo
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Jovem olha entediada pela janela
Fonte da imagem: Freepick

No dia 19 de agosto a Sociedade Americana de Psicologia (APA) divulgou uma pesquisa que associa o ato de assistir apenas trechos rápidos de vídeos com o tédio. O relatório foi publicado no Journal of Experimental Psychology e avaliou 1200 pessoas nos EUA e no Canadá. A maioria dos participantes era estudante universitário. 

Os cientistas pediram aos participantes para trocar de vídeo quando se sentissem entediados, a fim de aliviar o sentimento. A pesquisadora Katy Tam, da Universidade de Toronto, afirmou que a prática não melhora a sensação e mina a capacidade de satisfação das pessoas. Foi relatado que o tédio era menor quando o conteúdo era mais longo e envolvente. 

"Se as pessoas querem uma experiência mais agradável ao assistir vídeos, elas podem tentar se concentrar no conteúdo e minimizar a troca digital”.

A pesquisadora explica que o prazer de consumir um conteúdo está ligado a se aprofundar nele, não apenas visualizá-lo de forma rápida. 

 "A troca rápida de conteúdo pode fazer com que o usuário não veja sentido no que está assistindo porque têm tempo para se envolver ou entender as informações”.

O uso de smartphones pode aumentar mais o tédio

O estudo concluiu ainda que o uso repetido de smartphones aumenta o tédio. Tam explica que ao dar muita atenção ao dispositivo, a capacidade do ser humano de apreciar interações sociais reais diminui. 

“O tédio crônico está ligado a sintomas depressivos, ansiedade, agressão sádica e comportamento de risco”.

A capacidade de atenção do ser humano está diminuindo

Gloria Mark, professora de informática da chanceler na Universidade da Califórnia, Irvine, afirmou em entrevista que a capacidade humana de se manter atento diminuiu em 20 anos. 

Desde 2004, pesquisadores medem quanto tempo as pessoas conseguem se concentrar em atividades em frente a telas. 

Em 20 anos, os grupos pesquisados perderam 80% da sua capacidade de se concentrar. Veja um comparativo:

  • 2004 - O tempo de foco em uma atividade era de  2,30 min;
  • 2012 - O tempo de foco em uma atividade era de 0,74 min;
  • 2024 - O tempo de foco em uma atividade é de 0,47 min;

A situação é mais grave entre os membros da geração Z. Um relatório britânico revelou que os nascidos entre 1997 e 2012 têm a capacidade de se concentrar por 8 segundos, em média. Isso é 4 segundos a menos que os millennials, aqueles nascidos entre 1981 e 1996. 

Para minimizar as perdas, a Sociedade Americana de Psicologia recomenda que as pessoas repensem seus hábitos de consumo digital. O maior entretenimento está em se aprofundar nos vídeos online, em vez de apenas passar por eles.