Reportagem aponta preocupação de Vorcaro após operações dos EUA em solo venezuelano.
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O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tornou-se sócio de poços de exploração de petróleo na Venezuela por meio de um modelo de negócios estruturado há cerca de dois anos.
A informação foi revelada pelo jornalista Lauro Jardim e é atribuída a relatos feitos pelo próprio Vorcaro a interlocutores desde 2024.
Segundo essas conversas, o volume de recursos já investidos no país vizinho gira em torno de US$150 milhões, cerca de R$808,5 milhões. Os detalhes da operação, como localização exata dos poços e parceiros locais, não foram divulgados.
A revelação surge em meio ao avanço das investigações que envolvem o Banco Master e seu antigo controlador.
As investigações apuram negociações de títulos financeiros e suspeitas de irregularidades na emissão e circulação de créditos considerados fraudulentos.
De acordo com autoridades da Polícia Federal, os valores envolvidos podem chegar a R$12 bilhões.
Essas suspeitas levaram o Banco Central a decretar, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A medida é rara e só é usada quando um banco enfrenta problemas graves de liquidez ou descumpre regras do sistema financeiro.
Com a decisão, o Banco Master teve suas operações suspensas. Um liquidante foi nomeado para administrar e vender os ativos, e o Fundo Garantidor de Créditos passou a reembolsar os clientes dentro dos limites previstos em lei.
No mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro em um aeroporto de São Paulo.
Ele foi solto poucos dias depois, com uso de tornozeleira eletrônica, e segue no centro das investigações.
O caso avançou para o STF e passou a envolver uma disputa entre Banco Central, Polícia Federal e Judiciário sobre a condução do processo.
O ministro Dias Toffoli manteve a realização de uma acareação por videoconferência, que vai confrontar as versões de Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central.
O BC pediu ao STF que esclareça se esse diretor será ouvido como testemunha ou investigado e questionou a pressa para a audiência, marcada inicialmente durante o recesso do Judiciário.
Nesse cenário, a revelação de investimentos de Vorcaro em poços de petróleo na Venezuela acrescenta um novo elemento a um caso que ainda está em apuração.
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