Disputa mudou a distribuição do poder em Washington e enfraqueceu Trump.

Donald Trump perdeu a maioria do Congresso após as eleições legislativas desta terça-feira (3).
No Senado, o Partido Democrata conseguiu ganhar 7 cadeiras até o momento e aparece com 54 parlamentares. Para ser maioria são necessários 50 assentos.
O cenário se repetiu na Câmara, onde o partido elegeu 228 representantes até o momento, a maioria é formada por 218. Isso representou um aumento de 25 cadeiras.
O resultado muda a relação de forças em Washington ao menos pelos próximos dois anos. Entenda como funcionam as midterms.
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Nos Estados Unidos, as eleições que decidem a composição do Congresso acontecem a cada dois anos.
Sempre que caem no meio do mandato do presidente, são chamadas de midterms, ou “eleições de meio de mandato”.
O resultado define qual partido controla o Congresso e, portanto, quão fácil será para o presidente aprovar seus planos.
O Congresso americano tem duas casas. A Câmara dos Representantes, com 435 deputados, e o Senado, com 100 senadores, dois por estado.
Nas midterms, todos os 435 deputados voltam às urnas e, no Senado, só um terço das cadeiras é renovado.
A disputa não para no Congresso. Neste ano, 36 estados escolheram governador e mais de 6 mil cadeiras de assembleias estaduais foram a voto.
Além disso, os eleitores decidiram 146 plebiscitos sobre temas como aborto, impostos e mapas eleitorais.
O país é dividido em 435 distritos, e cada um elege um único deputado. Cada distrito tem, em média, cerca de 761 mil habitantes.
Ganha quem tiver mais votos, mesmo sem chegar à metade, e, na maior parte do país, não há segundo turno.
Controla a Câmara o partido que somar 218 cadeiras, não importa quantos votos teve no total.
Em 2012, os democratas tiveram mais de 1,5 milhão de votos a mais no país, mas os republicanos ficaram com a maioria.
Antes da eleição geral, quase todo candidato passa por uma primária. Nos EUA, os partidos não montam listas, o eleitor escolhe o candidato de cada partido.
Até o início do século XX, essa escolha era feita em convenções controladas por caciques partidários, um sistema fácil de corromper.
Em 1903, o Wisconsin entregou a decisão aos eleitores, e a ideia se espalhou pelo país.
Hoje, a primária muitas vezes é a eleição que realmente decide. Foi o que aconteceu no Texas, de maioria republicana.
Em maio, o senador John Cornyn, há quase 24 anos no cargo, perdeu a primária para Ken Paxton e ficou fora da eleição sem enfrentar nenhum democrata.
Nos EUA, o voto não é obrigatório, e o cidadão precisa se registrar como eleitor antes de votar.
Nas midterms, a participação despenca. Nas eleições presidenciais de 2020 e 2024, votaram 66% e 64% dos eleitores. Na midterm de 2014, apenas 37%.
Não existe um órgão nacional que organize as eleições. A Constituição deixou com cada estado a hora, o lugar e a forma de votar, e quem conta os votos são os condados.
Por isso, as regras mudam de um estado para o outro. No Missouri, as urnas abrem às 6h; no vizinho Kansas, às 7h.
No Kansas, qualquer eleitor pode votar pelo correio; no Missouri, só quem se encaixa em um dos seis motivos previstos em lei.
Como cada estado conta no seu ritmo, uma disputa apertada pode levar dias para ser definida.
Desde 1934, houve 23 midterms. Em 20 delas, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara, com uma perda média de 27 deputados.
Só cresceu três vezes: com Franklin Roosevelt, em 1934, Bill Clinton, em 1998, e George W. Bush, em 2002.
Uma explicação está em quem vai votar. Parte do eleitorado que elegeu o presidente só saiu de casa por causa dele e prefere se abster dois anos depois.
Já quem está insatisfeito com o governo tem uma tendência a comparecer mais na votação.