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Governo Trump ameaçou a Igreja Católica durante reunião no Pentágono, afirma jornal

O Departamento de Defesa negou que tenha havido ameaças, classificando os relatos como “exagerados e distorcidos”.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Governo Trump ameaçou a Igreja Católica com suas Forças Armadas
Fonte da imagem: Reprodução redes sociais

A relação entre os Estados Unidos e a Santa Sé está cada vez mais conturbada. A tensão não vem de agora, mas se arrasta há meses. 

Em janeiro, oficiais da defesa americana chegaram a fazer ameaças a diplomatas do Vaticano durante uma reunião a portas fechadas no Pentágono.

Segundo relatos de religiosos ouvidos pelo jornal The Free Press, os militares afirmaram que as forças armadas americanas têm poder para fazer o que quiserem e que seria melhor se a Igreja Católica estivesse ao seu lado.

Militares relembraram um momento conturbado na história da Igreja

O encontro envolveu o subsecretário de Defesa para Políticas, Elbridge Colby, e o então representante diplomático do Vaticano nos EUA, o cardeal Christophe Pierre. 

À medida que a conversa avançava, um dos oficiais americanos recorreu a um episódio chamado “Cativeiro de Avignon”.

Isso é uma referência ao período entre 1309 e 1377, quando os papas deixaram Roma e passaram a residir em Avignon, na França.

Naquele momento, a coroa francesa passou a ter uma forte influência sobre as decisões da autoridade espiritual

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J.D. vance se recusou a falar sobre o incidente

Questionado por jornalistas sobre o episódio no Pentágono, o vice-presidente J.D. Vance, que declara ser um católico praticante, evitou comentar os relatos e disse não ter conhecimento sobre a situação:

Acho que é sempre uma má ideia opinar sobre histórias que não foram confirmadas e corroboradas. Então, não vou fazer isso.”

Ele acrescentou que gostaria de entender melhor o que aconteceu antes de falar qualquer coisa.

O Departamento de Defesa negou que tenha havido ameaças, classificando os relatos como “exagerados e distorcidos”. 

Segundo a versão oficial, a reunião foi “respeitosa” e parte de um diálogo contínuo com o Vaticano.

Papa Leão XIV não visitará os EUA

Nascido em Chicago, Leão XIV é o primeiro Papa americano da história, mas ele não voltou a seu país desde que assumiu o pontificado em maio do ano passado.

O Vaticano suspendeu planos de uma visita oficial do Papa aos Estados Unidos ainda este ano.

Convites formais também foram feitos para que o pontífice participasse das celebrações dos 250 anos da independência americana, todos recusados ou adiados indefinidamente.

No dia 4 de julho de 2026, data das celebrações, Leão XIV viajará para Lampedusa, uma ilha italiana que se tornou símbolo da crise migratória no Mediterrâneo.

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Papa bateu de frente com Trump

Nas últimas semanas, o pontífice intensificou críticas à escalada militar no Oriente Médio, especialmente à guerra envolvendo o Irã. 

Em discursos recentes, condenou o que chamou de “diplomacia baseada na força” e alertou para uma crescente “vontade de dominação” entre nações.

No Domingo de Páscoa, foi ainda mais direto e pediu que líderes mundiais abandonassem as armas e rejeitassem a lógica da guerra.

O religioso chegou a bater de frente com Trump após o presidente americano prometer acabar com a civilização no Irã caso o país se recusasse a abrir o Estreito de Ormuz:

"A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral", disse o Pontífice.

Apesar dos embates, o Papa comemorou o anúncio de uma trégua de duas semanas entre os EUA e o Irã anunciada por Trump nas redes sociais.

Depois dessas últimas horas de tensão no oriente médio e no mundo, acolho como satisfação e como um sinal de viva esperança o anuncio de uma trégua de duas semanas. Apenas através da negociações se pode chegar ao fim da guerra.”

Uma relação recente e abalada

Os Estados Unidos, fundados por protestantes influenciados por ideias liberais maçônicas, não mantiveram relações diplomáticas formais com o Vaticano por grande parte de sua história.

Ocorreu uma tentativa de aproximação entre os dois países em 1951, quando o presidente Truman indicou o General Mark Clark para ser o Embaixador na Santa Sé.

No entanto, os planos de estabelecer relações com a Santa Sé não sobreviveram à oposição no Senado dos EUA.

Apesar de presidentes americanos já terem se encontrado com Papas antes, as relações oficiais só começaram em 1984, sob o mandato de Reagan.

Na época, o vaticano estava sob comando de João Paulo II, considerado um dos principais responsáveis pela queda do comunismo.

Lech Walesa, líder do movimento que acabou o regime na Polônia, chegou a dizer que "50% da queda do Muro corresponde a João Paulo II, 30% ao Solidariedade e a Lech Walesa, e apenas 20% ao resto do mundo".

A Brasil Paralelo contou a história de como o líder religioso combateu uma das ideologias mais mortíferas da história em sua primeira biografia, O Papa que Venceu o Comunismo. Assista ao trailer abaixo:

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