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Jato brasileiro cruza caminho de helicóptero de Trump: uma regra internacional coloca o Brasil no caso

Uma falha na comunicação com a torre de controle quase colocou as duas aeronaves no mesmo espaço aéreo.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Helicóptero de Donald Trump
Fonte da imagem: Auto esporte

Quando duas aeronaves quase se cruzam no ar, todo país que fabricou uma delas tem direito de participar da investigação.

Foi essa regra internacional que colocou o Brasil dentro de um caso que começou em Washington.

No dia 4 de agosto, o helicóptero presidencial americano, o Marine One, passou a cerca de 1,5 quilômetro de um avião comercial que acabava de decolar do Aeroporto Ronald Reagan. Dentro do helicóptero estava Donald Trump.

O avião era um Embraer E170, fabricado no Brasil e operado pela Envoy Air, divisão regional da American Airlines.

Por isso, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) foi oficialmente notificado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, o NTSB.

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Uma obra na Casa Branca começou tudo

A explicação para o quase acidente está em uma reforma.

Desde julho, o helicóptero presidencial decola de um ponto alternativo, o Ellipse, um parque ao sul da Casa Branca, por causa da construção de um novo salão na sede do governo americano.

Essa mudança de local afetou a comunicação com a torre de controle do aeroporto.

O protocolo de segurança prevê um aviso obrigatório: três minutos antes da decolagem do Marine One, a torre precisa ser informada, para suspender temporariamente pousos e decolagens na região.

Nesse dia, esse aviso não chegou como deveria. Segundo o NTSB, os agentes da Casa Branca tentaram contato duas vezes. Na primeira, a mensagem simplesmente não chegou ao controlador. Na segunda, chegou cortada, "completamente inaudível".

Duas aeronaves, nenhum aviso

Sem o alerta, a torre autorizou a decolagem do avião comercial normalmente. A tripulação da Envoy Air recebeu um alerta automático de tráfego logo após decolar, mas não chegou a avistar o helicóptero visualmente.

As duas aeronaves acabaram se comunicando diretamente enquanto estavam no ar, e o piloto do avião confirmou contato visual com o Marine One.

Ambas pousaram em segurança. A Casa Branca afirmou que o presidente não esteve em perigo em nenhum momento.

A solução já está em andamento

Para evitar que o problema se repita, a Administração Federal de Aviação (FAA) tomou uma medida técnica: transferiu o receptor de rádio de um bairro próximo para o topo da torre de controle do aeroporto Reagan.

A participação do Cenipa na investigação não significa que o Brasil tenha qualquer responsabilidade pelo incidente.

É um procedimento padrão da Organização da Aviação Civil Internacional, que garante ao país fabricante da aeronave o direito de colaborar na apuração, sempre que um de seus aviões está envolvido em um episódio como esse.

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