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Nasa lança telescópio que faz em um mês o que os telescópios atuais levam um século para fazer

Batizado em homenagem à primeira astrônoma-chefe da Nasa, o novo equipamento vai trabalhar para mapear bilhões de galáxias de uma só vez.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Nancy Grace Roman Space Telescope
Fonte da imagem: NASA

Imagine tentar fotografar uma cidade inteira usando apenas uma lente de zoom. Você vê cada detalhe de uma rua, mas nunca a cidade toda.

É esse o limite que a Nasa quer resolver com o telescópio espacial Nancy Grace Roman. Ele decola no próximo domingo (30), a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX de Elon Musk

Atualmente os telescópios Hubble e James Webb são como lentes teleobjetivas. Enxergam pequenas áreas do céu com riqueza de detalhes, mas levam tempo para cobrir grandes regiões.

O Roman é o oposto. Tem um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble. Um levantamento da Via Láctea que levaria cerca de um século com o Hubble pode ser concluído pelo Roman em apenas um mês.

O telescópio recebeu o nome de Nancy Grace Roman, primeira astrônoma-chefe da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble.

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Trabalho conjunto

Apesar das comparações, os dois telescópios não competem entre si. Trabalham juntos.

O Webb consegue mergulhar fundo em um único ponto do céu e enxergar galáxias formadas quando o Universo ainda era jovem.

O Roman vai por outro caminho. Ele varre áreas enormes, encontra os alvos raros e interessantes, e é o Webb quem depois aponta suas lentes para estudar cada um deles em detalhe.

Uma imagem do Roman pode cobrir uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia.

A missão tem três grandes objetivos: entender a energia escura, mapear a matéria escura e caçar planetas fora do Sistema Solar.

Para a energia escura, força misteriosa que acelera a expansão do Universo, o Roman vai observar centenas de milhões de galáxias em diferentes distâncias.

Como a luz leva bilhões de anos para chegar até nós, essas imagens funcionam como uma máquina do tempo, mostrando diferentes momentos da história cósmica.

Para achar planetas, o telescópio vai vigiar estrelas na região central da Via Láctea, atento a pequenas variações de brilho que denunciam a passagem de um planeta. A expectativa é encontrar dezenas de milhares de novos mundos.

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Uma longa viagem até o posto de trabalho

Depois do lançamento, o Roman não vai ficar orbitando a Terra. Vai viajar cerca de 1,5 milhão de quilômetros até o ponto de Lagrange 2, a mesma região onde o James Webb já opera.

Lá, longe da sombra da Terra, as temperaturas ficam estáveis, o que é essencial para o funcionamento dos instrumentos.

O telescópio tem 13 metros de altura e pesa cerca de 10,5 toneladas.

Sua missão principal deve durar cinco anos, mas foi projetado para funcionar por até uma década, observando bilhões de galáxias ao longo do caminho.

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