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Papa assina a primeira Encíclica com respostas ao avanço da Inteligência Artificial

Documento defende que as pessoas preservem sua humanidade em meio a inovações.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Papa Assinando encíclica sobre IA
Fonte da imagem: Reprodução

Pouco mais de um ano após assumir seu pontificado, o Papa Leão XIV assinou sua primeira Encíclica de seu pontificado.

O documento intitulado Magnifica Humanitas (Magnífica Humanidade) está dividido em cinco capítulos e fala sobre as tecnologias modernas, em especial, a Inteligência Artificial.

O religioso afirma que as inovações não são inimigas da humanidade, mas sim ferramentas neutras.

Isso faz com que ela reflita características das pessoas que a desenvolvem, financiam e regulam.

Assim, o Papa faz um apelo para que seja buscado o “bem comum” e para que as pessoas “se mantenham humanas” em meio aos avanços da IA.

O que exatamente é uma Encíclica?

A palavra Encíclica tem sua origem no idioma grego e pode ser traduzida como “geral” ou “que circula”.

Um documento do tipo é uma carta escrita por um Papa para seus bispos para orientá-los sobre algum tema específico.

Nela, o líder da Igreja busca exprimir uma opinião embasada nas escrituras e na tradição  que deve ser seguida pelos representantes da instituição.

Esse tipo de texto pode abordar diversos temas, como a questão do trabalho, a defesa da paz ou assuntos puramente espirituais.

Referências a Leão XIII

Longe de ser a primeira vez em que o Vaticano se posiciona sobre as mudanças na sociedade e nos meios de produção, a carta ganha um sentido ainda mais profundo quando colocada em perspectiva histórica.

Dentro do próprio documento há diversas referências à Encíclica  Rerum Novarum (Das Coisas Novas), publicada em 1891. 

No documento o Papa Leão XIII abordou frontalmente a "questão operária", defendendo direitos para os trabalhadores e justiça social:

pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada.”

Além da defesa dos trabalhadores, Leão XIII também fez críticas aos movimentos socialistas e comunistas que se propaga na época, como na Carta encíclica Quod apostolici muneris:

a pestilência mortal que serpenteia pelas vísceras íntimas da sociedade e a leva ao perigo extremo de ruína…Sem dificuldade, entendeis, veneráveis irmãos, que falamos da seita dos que com nomes bárbaros e diversos, se chamam ‘socialistas’, ‘comunistas’ ou ‘niilistas’”.

Desde o início de seu pontificado, o atual Papa deixou clara sua admiração pelo trabalho de Leão XIII.

Ele já elogiou em diversos momentos o diálogo que seu antecessor promoveu com o mundo moderno e alega procurar seguir uma linha semelhante.

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