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Nova pesquisa indica que a percepção passou a pesar mais sobre aliados de Bolsonaro

Levantamento foi realizado após áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e mediu reação dos eleitores ao caso.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Família Bolsonaro
Fonte da imagem: Reprodução

Até março, mais brasileiros associavam o caso Banco Master a aliados do presidente Lula. Dois meses depois, o cenário mudou. Uma nova pesquisa indica que a percepção passou a pesar mais sobre aliados da família Bolsonaro.

O dado aparece no novo levantamento da Atlas/Bloomberg. A pesquisa veio a público poucos dias após a divulgação dos áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

De acordo com a pesquisa, 43,3% dos entrevistados afirmam hoje que o esquema de fraudes financeiras do Banco Master estaria mais ligado a aliados de Bolsonaro, enquanto 32,8% associam o caso a aliados de Lula.

Gráfico sobre novo levantamento da Atlas/Bloomberg

O resultado representa uma inversão em relação a março. Na época, 39,5% associavam o caso a aliados de Lula, contra 28,3% que apontavam aliados de Bolsonaro.

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O que pode estar por trás do resultado?

Nas conversas divulgadas pelo The Intercept Brasil, o senador aparece cobrando pagamentos ligados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.

De acordo com a reportagem, documentos indicariam promessa de repasses de cerca de R$134 milhões ao projeto, com parte do valor já transferida.

Flávio Bolsonaro negou irregularidades

Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que buscou financiamento privado para o longa e disse que Daniel Vorcaro teria deixado de pagar as parcelas previstas no acordo.

A produtora GOUP Entertainment declarou não ter recebido recursos do Banco Master nem de empresas ligadas ao banqueiro.

Já o deputado Mário Frias afirmou que o papel de Flávio se limitou à cessão dos direitos de imagem da família Bolsonaro e à aproximação de investidores. 

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O caso envolveu outros nomes da direita

Romeu Zema chamou o caso de “imperdoável” e disse que o episódio lembraria práticas frequentemente atribuídas ao PT.

A família Bolsonaro respondeu ao ex-governador mineiro. Eduardo afirmou que a crítica prejudicaria uma aproximação entre PL e Novo. Já Flávio considerou o posicionamento precipitado.

No mesmo período, Eduardo divulgou uma página do TSE mostrando que o partido Novo recebeu R$1 milhão em doações do pai de Daniel Vorcaro em 2022.

Zema respondeu que não utilizou os recursos e que financiou a própria campanha com dinheiro pessoal.

Fundo ligado a advogado de Eduardo Bolsonaro comprou casa no Texas

Ao mesmo tempo, surgiram questionamentos sobre possíveis conexões financeiras envolvendo pessoas próximas à família Bolsonaro nos Estados Unidos.

Uma reportagem da Folha de S. Paulo citou um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro, associado à compra de imóvel no Texas e mencionado em estruturas ligadas ao filme Dark Horse.

Eduardo negou ter recebido dinheiro de Vorcaro, afirmou que vive nos EUA com renda passiva e cerca de R$ 2 milhões recebidos após a campanha de Pix organizada por Jair Bolsonaro e rejeitou qualquer ligação com o imóvel:

“Não comprei casa nos EUA. Não tem nada no meu nome. Moro de aluguel.”

O ex-deputado também saiu em defesa do irmão:

“Estão tentando forçar uma ilegalidade porque o alvo é o Flávio Bolsonaro.”

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Todas essas coisas aconteceram próximas a atual pesquisa

A sequência de denúncias, respostas, críticas e acusações aconteceu no mesmo período em que a pesquisa Atlas/Bloomberg registrou uma mudança na percepção dos entrevistados sobre o caso Banco Master.

No novo levantamento, o episódio passou a ser mais associado a aliados de Bolsonaro do que a aliados de Lula.

Não é possível afirmar quais fatores influenciaram diretamente essa mudança. Mas o resultado surgiu em meio a dias de forte repercussão política, com acusações, defesas e divergências públicas envolvendo diferentes nomes ligados a Bolsonaro.

O que os entrevistados pensam sobre os áudios

A pesquisa também mediu a reação ao conteúdo divulgado nos áudios.

Segundo o levantamento:

  • 95,6% disseram ter tomado conhecimento dos áudios;

  • Entre os que conheciam o caso, mais de 90% afirmaram ter ouvido o conteúdo;

  • 51,7% avaliaram que as mensagens representam evidências de envolvimento direto de Flávio com o escândalo do Banco Master;

  • 33,3% interpretaram o episódio como uma tentativa legítima de conseguir financiamento para o filme;

  • 12,1% disseram ver apenas proximidade entre Flávio e Vorcaro, sem indício de ilegalidade.

Além disso, 54,9% consideraram que o vazamento faz parte de uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades, enquanto 33% entenderam o episódio como tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro.

A pesquisa ouviu 5.032 brasileiros entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-06939/2026.

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