Levantamento foi realizado após áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e mediu reação dos eleitores ao caso.

Até março, mais brasileiros associavam o caso Banco Master a aliados do presidente Lula. Dois meses depois, o cenário mudou. Uma nova pesquisa indica que a percepção passou a pesar mais sobre aliados da família Bolsonaro.
O dado aparece no novo levantamento da Atlas/Bloomberg. A pesquisa veio a público poucos dias após a divulgação dos áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
De acordo com a pesquisa, 43,3% dos entrevistados afirmam hoje que o esquema de fraudes financeiras do Banco Master estaria mais ligado a aliados de Bolsonaro, enquanto 32,8% associam o caso a aliados de Lula.

O resultado representa uma inversão em relação a março. Na época, 39,5% associavam o caso a aliados de Lula, contra 28,3% que apontavam aliados de Bolsonaro.
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Nas conversas divulgadas pelo The Intercept Brasil, o senador aparece cobrando pagamentos ligados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.
De acordo com a reportagem, documentos indicariam promessa de repasses de cerca de R$134 milhões ao projeto, com parte do valor já transferida.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que buscou financiamento privado para o longa e disse que Daniel Vorcaro teria deixado de pagar as parcelas previstas no acordo.
A produtora GOUP Entertainment declarou não ter recebido recursos do Banco Master nem de empresas ligadas ao banqueiro.
Já o deputado Mário Frias afirmou que o papel de Flávio se limitou à cessão dos direitos de imagem da família Bolsonaro e à aproximação de investidores.
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Romeu Zema chamou o caso de “imperdoável” e disse que o episódio lembraria práticas frequentemente atribuídas ao PT.
A família Bolsonaro respondeu ao ex-governador mineiro. Eduardo afirmou que a crítica prejudicaria uma aproximação entre PL e Novo. Já Flávio considerou o posicionamento precipitado.
No mesmo período, Eduardo divulgou uma página do TSE mostrando que o partido Novo recebeu R$1 milhão em doações do pai de Daniel Vorcaro em 2022.
Zema respondeu que não utilizou os recursos e que financiou a própria campanha com dinheiro pessoal.
Ao mesmo tempo, surgiram questionamentos sobre possíveis conexões financeiras envolvendo pessoas próximas à família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Uma reportagem da Folha de S. Paulo citou um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro, associado à compra de imóvel no Texas e mencionado em estruturas ligadas ao filme Dark Horse.
Eduardo negou ter recebido dinheiro de Vorcaro, afirmou que vive nos EUA com renda passiva e cerca de R$ 2 milhões recebidos após a campanha de Pix organizada por Jair Bolsonaro e rejeitou qualquer ligação com o imóvel:
“Não comprei casa nos EUA. Não tem nada no meu nome. Moro de aluguel.”
O ex-deputado também saiu em defesa do irmão:
“Estão tentando forçar uma ilegalidade porque o alvo é o Flávio Bolsonaro.”
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A sequência de denúncias, respostas, críticas e acusações aconteceu no mesmo período em que a pesquisa Atlas/Bloomberg registrou uma mudança na percepção dos entrevistados sobre o caso Banco Master.
No novo levantamento, o episódio passou a ser mais associado a aliados de Bolsonaro do que a aliados de Lula.
Não é possível afirmar quais fatores influenciaram diretamente essa mudança. Mas o resultado surgiu em meio a dias de forte repercussão política, com acusações, defesas e divergências públicas envolvendo diferentes nomes ligados a Bolsonaro.
A pesquisa também mediu a reação ao conteúdo divulgado nos áudios.
Segundo o levantamento:
95,6% disseram ter tomado conhecimento dos áudios;
Entre os que conheciam o caso, mais de 90% afirmaram ter ouvido o conteúdo;
51,7% avaliaram que as mensagens representam evidências de envolvimento direto de Flávio com o escândalo do Banco Master;
33,3% interpretaram o episódio como uma tentativa legítima de conseguir financiamento para o filme;
12,1% disseram ver apenas proximidade entre Flávio e Vorcaro, sem indício de ilegalidade.
Além disso, 54,9% consideraram que o vazamento faz parte de uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades, enquanto 33% entenderam o episódio como tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro.
A pesquisa ouviu 5.032 brasileiros entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-06939/2026.
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