Atualidades5 min de leitura

Petistas acionam TSE para barrar estreia de Dark Horse, filme sobre Bolsonaro

Pedido cita repasses milionários ao filme e compara caso a decisões anteriores da Corte.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Jim Caviezel como Jair Bolsonaro
Fonte da imagem: Reprodução

Quando o filme Dark Horse chegar aos cinemas, previsto para 11 de setembro, faltará pouco mais de um mês para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.

Esse intervalo passou a ser um dos principais argumentos usados por aliados do PT para tentar impedir a estreia da produção até o fim do processo eleitoral.

Juristas ligados ao grupo Prerrogativas e o deputado Rogério Correia (PT-MG) pediram ao TSE que suspenda a estreia do filme sobre Jair Bolsonaro.

Na ação, os autores afirmam que o filme pode funcionar como “propaganda eleitoral antecipada e dissimulada”, além de representar possível abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e financiamento político paralelo.

Áudios entre Flávio e Vorcaro ampliaram pressão sobre Dark Horse 

A ofensiva ocorre após revelações sobre negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolvendo recursos destinados ao projeto.

Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil indicam negociações para repasses de US$24 milhões (cerca de R$134 milhões) ao filme. Documentos apontam que aproximadamente US$10,6 milhões (R$61 milhões) teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O senador afirma que buscava financiamento privado para uma produção sobre o pai.

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo. 

Petistas pedem investigação além da suspensão do filme

O pedido apresentado ao TSE vai além da tentativa de barrar a estreia.

Os autores solicitam comunicação à Polícia Federal, PGR, Banco Central, Coaf e Ministério da Justiça para investigar possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação patrimonial e crimes contra o sistema financeiro.

Segundo a petição, o volume de recursos associado ao projeto seria incompatível com uma obra cultural politicamente neutra.

“O conjunto de fatos revela possível engrenagem de financiamento político paralelo”.

Caso lembra decisões do TSE sobre Lula e Bolsonaro 

Os autores citam um precedente de 2022, quando o TSE suspendeu temporariamente a divulgação do episódio da série Investigação Paralela chamado Quem mandou matar Jair Bolsonaro?, lançado pela Brasil Paralelo às vésperas do segundo turno presidencial.

Na época, os ministros entenderam que o material poderia ampliar o alcance eleitoral de temas explorados em campanha. O documentário foi exibido apenas após as eleições.

Há diferenças entre os casos. Em 2022, Bolsonaro era candidato à reeleição. Agora, o nome ligado à disputa presidencial é Flávio Bolsonaro, enquanto o filme retrata a trajetória do ex-presidente.

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP. 

TSE já negou pedidos da oposição sobre desfile sobre Lula 

Em fevereiro deste ano, o TSE negou pedidos dos partidos Missão e Novo para impedir um desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula no carnaval.

A Corte afirmou que não seria possível presumir crime eleitoral antes da apresentação ocorrer.

Na ocasião, ministros ressaltaram que eventual irregularidade poderia ser investigada depois, mas rejeitaram impedir previamente o evento.

A comparação entre os casos passou a alimentar o debate sobre onde termina a expressão cultural e onde começa propaganda eleitoral.

Agora, caberá ao TSE decidir se Dark Horse deve ser tratado como obra artística, peça de comunicação política ou tema para investigação mais ampla.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui.