Prefeitura afirma que contratos analisados foram feitos de maneira transparente e serviço segue sendo prestado.

Karina Ferreira da Gama está sendo alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude em um contrato com a prefeitura de São Paulo.
Ela é presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que administra um programa de instalação de pontos de Wi-Fi gratuito na cidade.
Além disso, é dona da produtora Go Up Entertainment, que está fazendo o filme de Bolsonaro com Jim Caviezel.
A Operação Wi-Fi foi deflagrada nesta segunda-feira (1º) e cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao Instituto e à produtora.
Imóveis residenciais da empresária e na sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) também foram alvo.
Segundo a Polícia Civil, a investigação apura contratos entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5 mil pontos de internet pública em comunidades.
O contrato foi originalmente firmado por R$108 milhões, mas as investigações apontam que aditivos posteriores elevaram o valor para R$157,1 milhões.
O Instituto Conhecer Brasil foi contratado para executar o programa Wi-Fi Livre, iniciativa voltada à oferta de acesso gratuito à internet em áreas periféricas da capital.
No entanto, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil aponta que a entidade não possuía histórico de atuação nem experiência técnica no setor de telecomunicações.
Além disso, os investigadores identificaram diferenças expressivas entre os valores cobrados pelo instituto e os custos praticados anteriormente.
Documentos da investigação apontam que a Prodam, empresa pública de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, realizava a implantação de pontos de Wi-Fi por cerca de R$230 por unidade e cobrava R$306 mensais pela manutenção.
Já o contrato do ICB previa pagamentos de aproximadamente R$1.800 por ponto instalado.
A investigação também questiona a execução do serviço. Segundo a Polícia Civil, cerca de R$26 milhões teriam sido pagos à entidade sem a correspondente prestação dos serviços contratados.
Entre julho e agosto de 2024, por exemplo, mais de R$11 milhões foram repassados com base na existência de 3.200 pontos de internet.
Naquele período, segundo os investigadores, apenas seis pontos estariam efetivamente funcionando.
De acordo com documentos analisados pelos órgãos de controle, o ICB informou gastos de R$8,5 milhões relacionados à contratação de serviços da empresa Make Onde Tecnologia Digital Ltda.
Entretanto, segundo a investigação, não foram encontradas notas fiscais correspondentes a esses serviços.
Os investigadores também analisam a possibilidade de recursos públicos terem sido desviados para financiar a produção do filme Dark Horse.
O delegado responsável pelo caso solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a análise das movimentações financeiras da ONG.
Em manifestação enviada à Justiça, a Polícia Civil afirma haver suspeitas de "confusão patrimonial" entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora Go Up Entertainment.
O filme Dark Horse já vinha sendo alvo de controvérsias. Áudios mostram o senador Flávio Bolsonaro cobrando recursos para a produção da obra junto ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e já forneceu às autoridades toda a documentação solicitada.
Em nota, a administração declarou que o contrato foi celebrado dentro dos princípios da legalidade, transparência e economicidade.
Leia na íntegra
"A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido encaminhado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município.
A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://institutoconhecerbrasil.org.br/wifilivrecom. por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.
A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Municípío (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022 de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês."