Segurança pública5 min de leitura

Tenente-Coronel acusado de matar esposa é aposentado e continuará recebendo 97% do salário

Secretaria de Segurança está com processo disciplinar que pode cassar a patente.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Tenente-coronel que matou a esposa receberá aposentadoria
Fonte da imagem: Reprodução

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi acusado de matar a esposa, Gisele Alves Santana, em um crime que chocou o Brasil

Enquanto o processo corre na Justiça, a Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência de Geraldo para a reserva

Ele já tinha direito a se aposentar com o salário integral por causa de “critérios proporcionais de idade”. 

Isso significa que ele continuará recebendo o equivalente a seu último salário antes da prisão, cerca de R$28 mil bruto

Com alguns critérios de proporcionalidade estabelecidos, o salário deverá ficar em torno de R$20 mil.

A decisão foi publicada por meio de portaria da Diretoria de Pessoal da corporação. O pedido de aposentadoria partiu do próprio oficial, que tem 53 anos

De acordo com as regras da polícia militar, o benefício é garantido mesmo diante da acusação criminal.

Policial pode perder a patente

Apesar da aposentadoria, o processo disciplinar contra o tenente-coronel segue em andamento

A Secretaria de Segurança Pública informou que foi instaurado um conselho de justificação, que pode resultar na perda do posto e da patente

"Autorizou, a pedido do Comando da Polícia Militar, a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel Geraldo Neto, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva", afirmou em nota.

Relembre o caso

O caso segue sob investigação. O inquérito policial militar está em fase final e será encaminhado ao Judiciário

Paralelamente, a investigação da Polícia Civil já foi concluída, com denúncia por feminicídio e fraude processual.

Geraldo Neto foi preso preventivamente no dia 18 de março. Ele é acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça, no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo. 

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, versão apresentada pelo próprio tenente-coronel.

Com o avanço das investigações, laudos periciais e análise de mensagens indicaram inconsistências nessa versão

Segundo o Ministério Público, há elementos que apontam para feminicídio e tentativa de manipulação da cena do crime.