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Por que o Brasil é o primeiro a falar na ONU? A resposta pode estar entre três teorias

Voluntariado, homenagem ou prêmio de consolação. Entenda o papel do Brasil no começo da organização.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Por que o Brasil é o primeiro a falar na ONU
Fonte da imagem: Reprodução

Os líderes de 193 países se reúnem todos os anos em Nova Iorque para participar da Assembleia Geral da ONU.

Há mais de 70 anos, o primeiro a se pronunciar é o representante do Brasil presente no evento, normalmente o presidente da República.

Apenas em 1983 e 1984, a ordem foi invertida após o chefe da diplomacia brasileira, Ramiro Saraiva Guerreiro, aceitar um pedido de Ronald Reagan.

Essa tradição tem origens históricas incertas, que ainda despertam debates entre historiadores e especialistas.

  • Conheça a história da ONU para além do que a mídia costuma mostrar com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:

A teoria mais aceita: país foi voluntário

No início da história das Nações Unidas, poucos países queriam abrir o debate geral. Ser o primeiro a falar é correr o risco de críticas, pressão e repercussão política. 

Além disso, o mundo vivia um momento conturbado, com o fim das tensões que levaram à Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria.

Mesmo diante dessa adversidade, o Brasil se ofereceu para ser o primeiro orador das sessões em 1949, 1950 e 1951.

O país também era visto como uma opção neutra com relação a outras grandes potências no contexto da disputa entre EUA e URSS.

Esse costume foi consolidado em 1955 e chegou a ser consolidado na Resolução 51/241, de 1997, que reconhece “tradições existentes” para a lista de oradores:

“Solicita-se ao Secretariado que elabore uma lista de oradores com base nas tradições existentes e nas manifestações de preferência, de modo a atender da melhor forma às necessidades dos Membros”.

A teoria mais famosa envolve Oswaldo Aranha e Israel

Uma das versões mais conhecidas é de que a posição privilegiada do Brasil seria uma forma de reconhecimento ao trabalho do diplomata Oswaldo Aranha.

Figura próxima de Vargas, ele chefiou a política externa do Brasil desde 1938 até 1944 e defendeu a aproximação do Brasil com as forças aliadas.

No entanto, o reconhecimento da ONU não viria por isso, mas sim por seu papel fundamental para a história da Organização.

Oswaldo Aranha presidiu a primeira sessão especial da Assembléia em 1947, que determinou a criação de Israel e de um Estado para a população palestina.

Atualmente, o ex-chanceler é nome de praça em Jerusalém e foi visto como importante para a decisão, já que teria articulado um resultado favorável aos judeus.

O pequeno prêmio de consolação

A terceira versão tem raízes nas negociações políticas para o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial.

Dividido entre o apoio aos EUA e ao Reich, Vargas chegou a ter encontros diretos com o presidente Franklin Delano Roosevelt.

Além do apoio a iniciativas do governo brasileiro e à reorganização de suas Forças Armadas, o americano também ofereceu um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Atualmente, os cinco países que têm essa posição contam com o poder de vetar todas as decisões do órgão, são eles:

  • EUA;

  • Rússia;

  • China;

  • Inglaterra;

  • França.

Vargas tinha muito interesse em fazer parte desse grupo seleto, já que o Brasil deixou a Liga das Nações anos antes por não ter um assento permanente no Conselho da Organização.

O país escolheu os aliados. Enviou a FEB para a Europa, forneceu matérias primas em um esforço que custou a vida de aproximadamente 30 mil “soldados da borracha” e abrigou a base aérea mais movimentada do mundo em Natal.

No entanto, não conseguiu seu lugar no Conselho. Mesmo com o apoio americano, a participação foi barrada pela URSS e pela Inglaterra.

Ambos temiam perder espaço para a influência americana com um assento permanente do Brasil.

Como uma espécie de prêmio de consolação, o país teria se tornado o primeiro entre os comuns, recebendo certo destaque por abrir a Assembleia Geral.

Saiba mais sobre a entrada no Brasil na guerra em um especial da Brasil Paralelo com Silvio Navarro. Assista completo abaixo: