Aos 23 anos e com quase 2 milhões de votos, a deputada eleita recolocou o tema no debate político e abriu espaço para uma discussão sobre as origens e principais pensadoras do feminismo.

Eduarda Campopiano saiu das urnas com um número difícil de ignorar.
Aos 23 anos, a candidata do PL recebeu 1.956.238 votos e se tornou a deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026.
Foi a segunda maior votação nominal da história da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. O recorde continua com Janaína Paschoal, que recebeu 2.060.786 votos em 2018.
Campopiano construiu parte de sua projeção pública com críticas ao feminismo. Depois da eleição, o interesse pelo tema cresceu também nas buscas na internet. Termos relacionados ao movimento registraram alta nos dias seguintes à votação.
O resultado trouxe de volta uma pergunta que atravessa décadas.
Afinal, de onde vieram algumas das ideias que moldaram o feminismo moderno?
É difícil responder sem passar por Simone de Beauvoir. A escritora e filósofa francesa publicou O Segundo Sexo em 1949.
A obra se tornaria um dos textos mais influentes do pensamento feminista no século XX e teria impacto especialmente forte sobre autoras e movimentos ligados à chamada segunda onda do feminismo.
Curiosamente, Beauvoir não se identificava como feminista quando escreveu o livro. Ela só adotaria publicamente essa definição anos depois, em 1972.
Sua obra discutia como a sociedade ajudava a construir aquilo que se entendia por “mulher”. Essa reflexão se tornaria uma das bases para debates posteriores sobre sexo, gênero, liberdade e relações entre homens e mulheres.
Mas sua trajetória não ficou restrita aos livros.
Beauvoir participou ativamente da vida intelectual e política francesa, manteve longa relação com Jean-Paul Sartre e se envolveu em campanhas públicas que ainda hoje provocam debates sobre seu legado.
Quase quatro décadas depois de sua morte, suas ideias continuam presentes tanto entre quem as reivindica quanto entre quem as critica.
E entender essa influência exige ir além de frases isoladas.
Por isso, a Brasil Paralelo produziu A Face Oculta de Simone de Beauvoir, documentário que percorre sua trajetória, suas ideias e as controvérsias que acompanharam sua vida.
Em um momento em que o feminismo voltou ao centro do debate político, conhecer uma de suas principais referências ajuda a entender melhor de onde vieram muitas dessas discussões.
Assista a A Face Oculta de Simone de Beauvoir na Brasil Paralelo.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.