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Quais são as exigências da greve na USP? Movimento estudantil deixa alunos sem aula por um mês

Representantes dos manifestantes entraram na sede do governo de São Paulo para negociar após 4 horas de protestos.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Estudantes da USP estão em greve e pedem salário maior do que o dos trabalhadores, sem exigência de assistir às aulas ou tirar boas notase cotas para trans
Fonte da imagem: Reprodução

Na noite de ontem, um grupo de representantes do movimento estudantil entrou no Palácio dos Bandeirantes para negociar.

A comitiva adentrou após quatro horas de manifestação em frente à sede do governo de São Paulo

Eles foram acompanhados da deputada estadual Mônica Seixas (PSOL) que vai participar das conversas com o governo.

Segundo uma publicação do DCE da USP, as exigências do movimento para permitir que os alunos voltem a ter aulas incluem pontos como:

  • Apoio à Permanência de um salário mínimo paulista e meio (R$2.811);

  • Cotas trans, cotas PCD e Vestibular Indígena;

  • Fim das contrapartidas de nota e frequência mínima atreladas ao oferecimento dos auxílios;

  • Ampliação das políticas de permanência de mães na universidade.

Leia as exigências completas abaixo:

A USP está sem aulas há quase 1 mês

A greve começou no dia 23 de abril, quando o movimento usou as cadeiras da universidade para fazer piquetes e impedir que os estudantes pudessem ter aulas.

Os protestos chamaram atenção do país inteiro após cenas de vandalismo viralizarem na internet.

Um caso em especial aconteceu quando membros do movimento derrubaram a porta da reitoria e ocuparam o lugar por um dia.

Eles foram retirados na madrugada do dia das mães por agentes da tropa de choque, porém os protestos continuam.

Aluna conta como está a situação da USP

Uma aluna da universidade que falou com a Brasil Paralelo de maneira anônima e comentou sobre a situação da USP.

Ela conta que faltam cadeiras para os alunos se sentarem e as salas estão tão cheias que muitos precisam acompanhar as aulas do lado de fora.

O que tem acontecido é que não temos nem onde sentar na sala de aula. Estamos sem carteiras, já tiveram várias aulas que precisei assistir sentada no chão. Não tem sala para todo mundo, mais alunos do que espaço. Precisamos ficar do lado de fora e ouvir do corredor”.

A superlotação acontece pela falta de professor, afirmou a estudante, já que muitos são idosos e acabam morrendo ou se aposentando sem substituição.

Algumas turmas correm risco de deixar de existir pela falta de professores, o que faz com que muitos adiem a aposentadoria ou trabalhem mesmo com problemas de saúde.

Sobre o restaurante universitário, a aluna afirma que os estudantes recebem muitas vezes alimentos em péssimas condições:

No bandejão está vindo comida velha com larvas e pedras. As pessoas vão comer e encontram bichos e larvas dentro da comida”.

O estado do conjunto onde os estudantes moram, o CRUSP, também é descrito como crítico pela estudante:

As pessoas do CRUSP estão em uma condição insalubre. O prédio não tem manutenção, então os colchões estão com mofo, as paredes estão com mofo, o que é prejudicial para a saúde. Tem épocas em que o prédio fica sem água ou sem luz.”

A espiral do silêncio na USP

Apesar do cenário de greve e vandalismo dentro da universidade, a aluna afirma que a maioria dos estudantes da USP são dedicados e apaixonados por seus estudos:

Tem uma minoria que é do movimento estudantil, que se envolve com política, mas a maioria dos alunos são pessoas que trabalham, muitas vezes em mais de um emprego, tem paixão por estudar e querem fazer isso com dedicação e afinco”.

Muitas vezes esses alunos ficam em silêncio por conta de um fenômeno conhecido como espiral do silêncio.

De acordo com a pesquisadora especializada em opinião pública, Noelle-Neumann, as pessoas tendem a descobrir qual a visão dominante em um determinado ambiente e a reproduzem para evitar confrontos.

O pensamento hegemônico em um determinado lugar não é necessariamente aquele compartilhado pela maioria das pessoas, mas o com maior repercussão.

Em muitos casos, a maioria das pessoas podem até pensar de forma diferente, mas escondem suas visões, pois acreditam que são minoria.

A espiral do silêncio dentro das universidades é um dos temas do documentário original Unitopia.

A Brasil paralelo levou suas câmeras para as instituições de ensino mais famosas do Brasil para ver a real situação do ensino.

Assista gratuitamente ao primeiro episódio no vídeo abaixo:

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