Filho do ex-presidente afirma que impedir votação da anistia fere democracia.

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade) disse que não haverá anistia para Bolsonaro e nem para seus aliados condenados na suposta trama de golpe.
Ele é o relator do projeto sobre as penas dos condenados pelos protestos do dia 8 de janeiro de 2023.
Seu relatório prevê uma redução das penas, mas não a anistia “ampla, geral e irrestrita” defendida pela oposição:
“Se o PL, partido do Flávio Bolsonaro, topar votar o meu relatório, está resolvido, vamos votar, segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Se quiserem fazer emenda, destaque, não tem votação”.
Flávio havia se reunido com Paulinho em setembro e chegou a dizer que faria emendas para o projeto não se limitar à redução de penas, segundo o Estadão.
Paulinho também aproveitou para criticar o filho do ex-presidente, que havia pedido a anistia para seu pai no final de semana:
“Não tem nenhuma possibilidade de anistia. Essa história do Flávio é um sonho de verão. Nós não temos força para votar a anistia”.
Flávio Bolsonaro voltou a falar sobre o assunto nesta terça-feira (9). Ele disse que seu pai está “bastante angustiado” com a situação do projeto e afirmou acreditar na possibilidade de anistia:
“O próprio presidente Bolsonaro ouviu do Hugo Motta, ouviu do Davi Alcolumbre o compromisso de pautar a anistia, e ele está dizendo que quer acreditar na palavra dos dois até o último momento, porque isso tem que ser apreciado esse ano ainda”
O senador também criticou a postura de Paulinho da Força e cobrou compromisso dele e dos presidentes do Congresso:
“O que a gente pediu para eles lá atrás, e que eles não estão cumprindo, não cumpriram até agora, é que paute. Não pode o debate sem ter editado, só pauta se houver o compromisso que vai ser a pauta da dosimetria; se não, não pauta. Quer dizer, quem está interditando esse debate é o relator”.
Em sua visão, impedir que a questão vá para o plenário da Câmara seria botar um entrave no processo democrático:
“Isso é democracia. Quem está defendendo a democracia somos nós. Nós queremos que aconteça como sempre aconteceu: que a maioria, o plenário soberano, com a maioria dos votos, decida o que é que vai acontecer com relação a essa pauta”.
Por fim, ele acrescentou que não temem um embate com o Judiciário e defendeu o papel do Congresso no assunto:
“A competência para tratar de anistia é do Congresso Nacional. Cabe a outro poder respeitar, porque não tem absolutamente nada de inconstitucional, a não ser que eles queiram inventar alguma coisa para continuar mantendo esse objetivo deles forte, que é deixar o Bolsonaro fora da vida pública.”
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