Especialista em longevidade diz que 85% do envelhecimento passa por hábitos básicos.

Cada vez mais pesquisas indicam que a solidão reduz a expectativa de vida.
Essa é a ideia que une médicos e pesquisadores ao redor do mundo e que ganhou força com novos estudos sobre envelhecimento.
Para o médico argentino Sebastián La Rosa, especialista em longevidade, sentir-se sozinho acelera o envelhecimento do corpo.
Quando se fala em viver mais, o senso comum aponta bons hábitos. La Rosa concorda: segundo ele, até 85% dos resultados de longevidade vêm desses três pilares:
Mas há um quarto fator: as conexões humanas.
“Estar separado dos outros, e principalmente sentir-se sozinho, faz com que envelheçamos mais rápido”, afirma.
O isolamento social deve se tornar um dos principais fatores de envelhecimento nas próximas décadas.
Um estudo da Mayo Clinic analisou dados de cerca de 280 mil adultos atendidos nos EUA entre 2019 e 2022.
Os participantes responderam questionários sobre vida social e fizeram eletrocardiogramas. Com base nesses exames, uma inteligência artificial estimou a idade biológica do organismo.
O estudo mostrou que quanto maior o isolamento social, mais “velho” o corpo aparentava estar, um padrão observado em todas as idades e entre homens e mulheres.
Não foi só isso. O grupo mais isolado também apresentou maior risco de morte ao longo do acompanhamento de dois anos.
Vivek Murthy classificou a solidão como uma epidemia.
De acordo com seu relatório, cerca de metade dos adultos americanos se sentem sozinhos, com efeitos na saúde comparáveis a fumar até 15 cigarros por dia.
O isolamento eleva o cortisol, hormônio do estresse que, em excesso, favorece inflamação, desgaste dos vasos e doenças cardiovasculares.
Também ativa processos inflamatórios no organismo e está ligado a hábitos de risco, como sedentarismo, má alimentação, tabagismo, consumo de álcool e abandono de tratamentos médicos.
Entre idosos, fatores como aposentadoria e viuvez reduzem o convívio social. Entre jovens, especialmente da geração Z, há muita conexão digital e pouco contato real.
Para Sebastián La Rosa, a conclusão é: viver mais não é só cuidar do corpo, mas manter relações humanas vivas.
Se a ciência mostra que a solidão envelhece o corpo, vale olhar para o que ela faz com a mente.
Quando os vínculos e o sentido se perdem, não é só o corpo que sente. Mas também a forma como passamos a enxergar a realidade.
A Fantástica Fábrica de Sanidade parte desse ponto para investigar como uma sociedade cada vez mais isolada aprende a chamar de normal aquilo que nos adoece.
Em um mundo que incentiva a fuga e o isolamento, a sanidade é uma ilusão ou o caminho para reencontrar algum equilíbrio?
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.