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Solidão está diretamente ligada ao envelhecimento acelerado, aponta médico

Especialista em longevidade diz que 85% do envelhecimento passa por hábitos básicos.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Solidão
Fonte da imagem: Divulgação

Cada vez mais pesquisas indicam que a solidão reduz a expectativa de vida.

Essa é a ideia que une médicos e pesquisadores ao redor do mundo e que ganhou força com novos estudos sobre envelhecimento.

Para o médico argentino Sebastián La Rosa, especialista em longevidade, sentir-se sozinho acelera o envelhecimento do corpo.

Quando se fala em viver mais, o senso comum aponta bons hábitos. La Rosa concorda: segundo ele, até 85% dos resultados de longevidade vêm desses três pilares:

  • dieta;
  • exercício;
  • sono.

Mas há um quarto fator: as conexões humanas.

“Estar separado dos outros, e principalmente sentir-se sozinho, faz com que envelheçamos mais rápido”, afirma.

O isolamento social deve se tornar um dos principais fatores de envelhecimento nas próximas décadas.

A ciência começa a confirmar isso com números.

Um estudo da Mayo Clinic analisou dados de cerca de 280 mil adultos atendidos nos EUA entre 2019 e 2022.

Os participantes responderam questionários sobre vida social e fizeram eletrocardiogramas. Com base nesses exames, uma inteligência artificial estimou a idade biológica do organismo.

O estudo mostrou que quanto maior o isolamento social, mais “velho” o corpo aparentava estar, um padrão observado em todas as idades e entre homens e mulheres.

Não foi só isso. O grupo mais isolado também apresentou maior risco de morte ao longo do acompanhamento de dois anos.

Epidemia de solidão

Vivek Murthy classificou a solidão como uma epidemia.

De acordo com seu relatório, cerca de metade dos adultos americanos se sentem sozinhos, com efeitos na saúde comparáveis a fumar até 15 cigarros por dia.

O isolamento eleva o cortisol, hormônio do estresse que, em excesso, favorece inflamação, desgaste dos vasos e doenças cardiovasculares.

Também ativa processos inflamatórios no organismo e está ligado a hábitos de risco, como sedentarismo, má alimentação, tabagismo, consumo de álcool e abandono de tratamentos médicos.

Entre idosos, fatores como aposentadoria e viuvez reduzem o convívio social. Entre jovens, especialmente da geração Z, há muita conexão digital e pouco contato real.

Para Sebastián La Rosa, a conclusão é: viver mais não é só cuidar do corpo, mas manter relações humanas vivas.

Se a ciência mostra que a solidão envelhece o corpo, vale olhar para o que ela faz com a mente.

Quando os vínculos e o sentido se perdem, não é só o corpo que sente. Mas também a forma como passamos a enxergar a realidade.

A Fantástica Fábrica de Sanidade parte desse ponto para investigar como uma sociedade cada vez mais isolada aprende a chamar de normal aquilo que nos adoece.

Em um mundo que incentiva a fuga e o isolamento, a sanidade é uma ilusão ou o caminho para reencontrar algum equilíbrio?

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