Órgão afirmou que se baseou nos documentos oficiais das parlamentares para preparar celebração.

A Câmara de Vereadores de São Sebastião está sendo acusada de transfobia após fazer uma homenagem às mulheres que já atuaram lá.
Segundo a suplente, Pauleteh Araújo (PSOL), o órgão teria sido transfóbico por não incluir uma foto sua na exibição:
“A Câmara de São Sebastião, que sempre fez de tudo para me apagar da história, faz uma homenagem para as vereadoras que tomaram posse na Casa e excluíram justamente a minha foto.”
A publicação com fotos da celebração foi enchida com comentários criticando sua ausência, inclusive de Érika Hilton.
Pauleteh disse que a falta de sua foto é fruto de preconceitos reproduzidos no Legislativo:
"A Câmara é um lugar que deveria representar a população, mas que acaba se tornando um espaço de exclusão, onde preconceitos são reproduzidos e reforçados".
Atualmente, a ex-suplente vive na cidade de Newark, próxima a Nova Iorque. Ela ficou nos EUA enquanto gravava um documentário, após alegar que teria sofrido ameaças no Brasil.
Questionada pelo SBT News, a Câmara de São Sebastião emitiu uma nota na qual afirmou que se opõe a qualquer tipo de discriminação.
Além disso, o órgão disse que se baseou nos registros oficiais para preparar a homenagem.
Leia a nota completa abaixo:
"A Câmara Municipal de São Sebastião informa que não compactua com qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito institucional e a legalidade.
A relação utilizada para composição da homenagem foi elaborada com base em registros e informações oficiais disponíveis nos sistemas administrativos e órgãos de controle.
A Câmara esclarece ainda que a solenidade teve caráter institucional e não houve qualquer direcionamento ou distinção motivada por identidade de gênero.
Em relação aos apontamentos sobre o exercício do mandato em 2022, a Casa informa que as questões relacionadas à convocação e posse foram tratadas à época nos meios administrativos e judiciais cabíveis.
A Câmara permanece à disposição para esclarecimentos institucionais."
A parlamentar respondeu a versão apresentada pela Câmara em um vídeo e disse que deveria ter sua identidade reconhecida mesmo sem alterações em documentos oficiais:
“O STF reconhece a identidade de gênero de pessoas trans independentemente de retificação de documentos ou qualquer tipo de cirurgia.”