Um dos países chegou a ter bombas nucleares, mas abandonou o armamento.

A energia nuclear está se espalhando através do continente africano em meio a uma realidade marcada por falta de eletricidade e crescimento populacional.
Atualmente, aproximadamente 600 milhões de africanos ainda não têm acesso à eletricidade.
Ao mesmo tempo, o continente depende quase completamente de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão.
Nesse cenário, muitos governos estão olhando para a energia nuclear como uma alternativa capaz de gerar eletricidade e com baixa emissão de carbono.
Poucas tecnologias são tão polêmicas quanto a energia nuclear, desde os anos 1950, ela é vista ao mesmo tempo como símbolo de progresso e motivo de preocupação.
Acidentes como Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011) diminuíram o entusiasmo global.
Ainda assim, nas últimas décadas, a busca por energia limpa trouxe o tema de volta ao centro do debate.
Na África, esse movimento ganha força com necessidade prática de ampliar o acesso à energia e sustentar o desenvolvimento econômico.
Apesar disso, a África possui hoje apenas uma usina nuclear em operação, localizada em Koeberg, na África do Sul.
Um relatório conduzido em 2025 pelo jornalista sul-africano Tristen Taylor aponta que o continente se tornou um mercado para fornecedores internacionais, como Rússia, China e Coreia do Sul.
Entre todos os países africanos, o que está avançando mais rápido e de maneira mais concreta é o do Egito.
Em 2022, a estatal russa Rosatom iniciou a construção de uma usina nuclear em El Dabaa, na costa norte do país.
O avanço egípcio mostra como as parcerias internacionais têm sido decisivas. Mais do que tecnologia, esses acordos envolvem financiamento, capacitação e apoio político.
Se concluída como planejado, a usina poderá colocar o Egito na liderança nuclear africana.
Fora o Egito, a situação dos outros países africanos que estão procurando essa tecnologia é mais complicada.
Gana, Quênia, Nigéria e outras nações demonstram interesse em desenvolver energia nuclear. Alguns já assinaram acordos de cooperação ou iniciaram estudos de viabilidade.
No entanto, poucos projetos saíram do papel. Em alguns casos, os acordos têm mais valor político do que operacional.
Assinar parcerias com potências nucleares pode indicar alinhamento internacional, mas não garante a construção de usinas.
Além disso, há obstáculos importantes, como o custo elevado, já que a energia nuclear ainda é mais cara que fontes renováveis como solar e eólica.
Também existem algumas complexidades técnicas, como o fato de que cada reator exige soluções específicas e que ainda não há soluções simples para os resíduos.
Mesmo tecnologias promissoras, como os Pequenos Reatores Modulares (SMRs), ainda estão em fase de protótipo.
A África do Sul ocupa uma posição singular nesse cenário, o país abriga a única usina nuclear ativa do continente.
A usina de Koeberg, próxima à Cidade do Cabo, opera desde a década de 1980 e responde por cerca de 4% da eletricidade nacional.
Em 2025, sua licença foi estendida por mais 20 anos, apesar de críticas sobre segurança e manutenção.
Paralelamente, o país planeja expandir sua capacidade nuclear, com propostas para novas instalações.
Durante o período do apartheid, o país desenvolveu um programa secreto de armas nucleares.
Chegou a produzir seis bombas atômicas, que foram posteriormente desmanteladas no início da década de 1990, antes da transição política.
Até hoje, é o único país do mundo a ter desenvolvido e voluntariamente abandonado seu arsenal nuclear.