Cidade quer atingir neutralidade de carbono até 2050 e reduzir o consumo de carne em até 50% no mesmo período.

Desde 1º de maio, quem passeia pela capital holandesa já não encontra anúncios de hambúrgueres, passagens aéreas ou carros a gasolina nos espaços públicos da cidade.
Amsterdã proibiu a publicidade desses produtos em outdoors, pontos de ônibus e aeroportos. A lei foi aprovada pelo conselho municipal por 27 votos a 17.
A decisão coloca Amsterdã como a primeira cidade do mundo a adotar uma restrição desse tipo em larga escala.
A regra atinge produtos associados a altas emissões de carbono. Entre eles estão voos, cruzeiros, veículos movidos a combustíveis fósseis e alimentos à base de carne.
A cidade pretende alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e reduzir em até 50% o consumo de carne no mesmo período.
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A proibição não afeta o comércio desses produtos, mas retira sua presença da comunicação urbana.
Isso significa que as empresas não podem mais usar espaços públicos para promover esses itens.
O objetivo, segundo autoridades locais, é alinhar a paisagem da cidade às metas ambientais e alterar a forma como esses produtos são percebidos pela população.
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A medida foi impulsionada por partidos com pautas ambientalistas e por grupos ativistas.
Parte dos defensores compara a estratégia ao que chamam de “momento tabaco”, uma tentativa de associar o consumo de carne a impactos negativos, A decisão gerou reação da mesma forma que ocorreu com o cigarro ao longo das últimas décadas.
Entidades do setor de carne afirmam que a medida tenta influenciar o comportamento do consumidor de forma indevida e destacam que o alimento continua sendo parte importante da dieta.
Representantes do turismo criticam a restrição a anúncios de viagens aéreas, classificando a política como desproporcional.
Apesar das críticas, a iniciativa não é a única.
Outras cidades europeias já adotaram medidas parecidas ou discutem propostas na mesma linha.
Na Holanda, municípios como Haarlem, Utrecht e Nijmegen avançaram em restrições à publicidade de carne e combustíveis fósseis.
A decisão de Amsterdã amplia esse movimento e pode influenciar outras cidades.
A regulação da publicidade de carne e a meta de reduzir em 50% o consumo na capital holandesa podem ter outras camadas.
Para o médico Alexandre Duarte, a pirâmide alimentar criada nos anos 1990, que colocou os grãos na base da dieta e reduziu o consumo de carne, pode ter sido construída com base em interesses econômicos, e não científicos.
No Conversa Paralela, Duarte vai fundo na biologia do Homo sapiens como um "super carnívoro", explica por que os antinutrientes presentes nos vegetais podem fazer mal ao organismo e desmistifica a demonização da gordura saturada.
Também aborda como a frequência das refeições modernas e o desrespeito ao ciclo circadiano podem estar sabotando a longevidade.
Assista ao episódio completo no canal da Brasil Paralelo.
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