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Cadeia recebe 1.500 livros após carta de preso à Biblioteca Nacional: “Eu pude sair do crime porque entendi melhor meu papel como homem”

O detento Australiamar acredita que a leitura será o caminho de mudança de vida para quem está ali.

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Redação Brasil Paralelo
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Escritor Sagat B (à esquerda), detento Australiamar Fernandes e Marco Lucchesi, presidente da FBN, durante entrega.
Fonte da imagem: Escritor Sagat B (à esquerda), detento Australiamar Fernandes e Marco Lucchesi, presidente da FBN, durante entrega. Foto: SEAP / Divulgação

Uma carta escrita por um detento. Um pedido direto: livros. A resposta veio em forma de 1.500 volumes entregues pessoalmente pelo presidente da Biblioteca Nacional. A cena aconteceu na Cadeia Pública de Resende, no Rio de Janeiro. Mas o impacto vai além dos muros da unidade. 

Envolve a criação de uma nova sala de leitura, o testemunho de um ex-detento que virou escritor e um debate mais profundo: pode a leitura mudar destinos?

A carta foi escrita por Australiamar Fernandes, interno da Cadeia Pública Inspetor Luís Fernandes Bandeira Duarte. 

Simples, mas incisiva, ela apelava por acesso à leitura como instrumento de transformação. O documento chegou à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), que acionou a Fundação Biblioteca Nacional. 

Marco Lucchesi, presidente da FBN e membro da Academia Brasileira de Letras, não hesitou: foi pessoalmente levar os livros.

Além da doação, a unidade inaugurou uma nova sala de leitura. Com isso, o acervo saltou para mais de dois mil títulos disponíveis aos internos.

Educação como ferramenta de reintegração

Australiamar, autor da carta, destacou que a iniciativa representa mais do que um benefício educacional: é uma chance concreta de transformação pessoal. 

“Quero ver os internos com um livro na mão, sentados na cadeira de uma faculdade, pensando em se ressocializar de outra forma”, afirmou.

A diminuição de pena pela leitura é prevista em lei e permite que cada obra lida reduza quatro dias da pena do detento. 

Durante a entrega, os presos receberam a visita de Sagat B, ex-detento que descobriu a literatura na prisão e hoje é escritor e palestrante. 

“Eu pude sair do crime porque entendi melhor meu papel como cidadão e como homem. O acesso à leitura foi o ponto de virada”, disse. 

O diretor da unidade, Douglas Lugão, reconheceu o impacto imediato da doação dos 1.500 livros: 

“Nosso espaço era limitado. Agora temos estrutura para oferecer leitura de qualidade e uma nova perspectiva aos internos”, afirmou.

Os livros têm o poder de transformar vidas.

Uma grande história pode mudar o rumo de uma existência, seja de uma criança, de um adulto ou até de um presidiário. Mas nem sempre é fácil encontrar tempo para ler.

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