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Cientistas registram rachadura de placas tectônicas pela primeira vez na história

Cientistas afirmam que a descoberta não significa que um grande terremoto está próximo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Placas tectónicas fotografas no fundo do mar
Fonte da imagem: Alex Mustard

Cientistas conseguiram capturar pela primeira vez na história o momento em que uma placa tectônica se rachou

O fenômeno acontece próximo à ilha de Vancouver, entre o Canadá e os Estados Unidos, no fundo do Pacífico.

A descoberta chamou atenção porque mostra um processo que, até hoje, os pesquisadores só conseguiam imaginar por meio de vestígios deixados em rochas antigas.

A placa que está se rompendo é a Juan de Fuca, que já aparece separada em alguns trechos, enquanto outros permanecem conectados. 

Segundo os cientistas, isso revela que a ruptura não acontece de forma súbita, mas em etapas lentas e progressivas, ao longo de milhões de anos.

A pesquisa foi publicada na revista científica Science Advances e reuniu pesquisadores dos Estados Unidos, Canadá e Suíça.

Como os cientistas conseguiram observar a ruptura?

Para registrar o fenômeno, os pesquisadores usaram tecnologias de mapeamento sísmico em alta resolução durante uma expedição realizada em 2021.

Ondas sonoras foram enviadas ao fundo do oceano e permitiram criar imagens detalhadas das camadas profundas da crosta terrestre, um método semelhante a uma ultrassonografia.

As imagens revelaram fraturas verticais com quilômetros de profundidade e dois grandes “rasgos” no interior da placa tectônica.

Os cientistas também identificaram áreas sem atividade sísmica recente. Isso indica que determinadas partes da placa já perderam contato entre si, sinalizando um estágio avançado de separação.

O fenômeno aumenta o risco de terremotos?

Os cientistas afirmam que a descoberta não significa que um grande terremoto esteja prestes a acontecer

Ainda assim, os novos dados podem ajudar especialistas a compreender melhor os riscos sísmicos da região.

A zona de Cascadia já é conhecida pelo potencial para grandes terremotos porque concentra enormes massas rochosas sob pressão.

Os pesquisadores explicam que a fragmentação da placa pode alterar a dinâmica da subducção e influenciar falhas geológicas, atividade vulcânica e movimentos tectônicos futuros.

Outro dado que chamou atenção foi a diferença de comportamento entre as placas da região.

A placa Juan de Fuca avança mais de quatro centímetros por ano sob a América do Norte

Já a placa Explorer, uma estrutura menor associada à região, se move a cerca de dois centímetros anuais.

Essa diferença criou tensões que, segundo o estudo, podem ter contribuído para o surgimento das fraturas observadas no fundo do oceano.