Filosofia5 min de leitura

Os principais conceitos de Nietzsche: do Super-Homem à Morte de Deus

Filósofo questionou a moral, a religião e a ideia de verdade e influenciou pensadores do século XX.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Friedrich Nietzsche
Fonte da imagem: Reprodução

Poucos homens influenciaram tanto as ideias do último século quanto Friedrich Nietzsche. Suas ideias estão tão difundidas na sociedade atual que é difícil de ignorar seu pensamento.

Nascido em 1844 na Prússia, o filósofo alemão passou a vida questionando a moral, a religião e a própria ideia de verdade.

Para entender o pensamento atual é preciso entender os principais conceitos de Nietzsche. Entre eles estão:

  • O Übermensch (além-do-homem ou super-homem);

  • A Morte de Deus;

  • O Niilismo;

  • A Vontade de Poder;

  • O Eterno Retorno;

  • O Amor Fati;

  • A Moral de Senhores e a Moral de Escravos.

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O Übermensch: a ideia de Super-Homem

"O homem é uma corda estendida entre o animal e o Além-do-Homem — uma corda sobre um abismo."

O Übermensch é o conceito mais famoso de Nietzsche. Aqui, não falamos sobre uma categoria racial ou biológica, mas de um estado de ser.

O indivíduo superou a obediência cega, o ressentimento e o medo da liberdade, e passou a criar seus próprios valores.

Em Assim Falou Zaratustra, Nietzsche descreve o caminho para esse estado por meio das três metamorfoses do espírito:

  • O Camelo: carrega fardos pesados, obedece à tradição, diz "eu devo".

  • O Leão: luta contra os valores estabelecidos, conquista a liberdade, diz "eu quero".

  • A Criança: inocente, criativa, capaz de dizer sim à vida sem ressentimento.

"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante."

O Übermensch é quem chegou ao estágio da criança. Quem cria seus próprios valores sem precisar da aprovação de ninguém.

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A Morte de Deus

"Deus está morto."

Esta é a frase mais conhecida de Nietzsche, presente em A Gaia Ciência. Ela não chega a ser uma declaração de Ateísmo, mas um diagnóstico cultural feito pelo filósofo.

Para Nietzsche, a modernidade havia destruído a base sobre a qual toda a moralidade europeia foi construída. Com o avanço da ciência e o declínio da fé, os valores absolutos perderam sua sustentação.

O problema não era a ausência de Deus. Era o vácuo que essa ausência deixou. Sem uma fonte de valores absolutos, a civilização europeia caminhava inevitavelmente para o niilismo.

"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”.

O Niilismo de Nietzsche

O vácuo deixado pela morte de Deus conduz ao niilismo, o estado em que os valores supremos se desvalorizam e a pergunta "para quê?" fica sem resposta.

Nietzsche distingue dois tipos de Niilismo:

O niilismo passivo é a fadiga do espírito, a resignação diante do vazio.

O niilismo ativo é a destruição consciente das velhas certezas para abrir espaço para algo novo.

Para Nietzsche, o niilismo ativo era necessário, uma etapa inevitável no caminho para a criação de novos valores.

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A Vontade de Poder

A Vontade de Poder não se trata de dominação política ou de poder sobre os outros.

É um princípio que descreve a essência da vida como um impulso contínuo de crescimento, expansão e autossuperação.

Todo ser vivo não busca apenas sobreviver, mas aumentar sua potência e impor sua forma sobre a existência. É um conceito sobre criatividade e autodomínio.

"Torna-te aquilo que és."

O Eterno Retorno

O Eterno Retorno propõe que a existência se repete infinitamente em ciclos idênticos, com cada dor, cada alegria e cada evento ocorrendo novamente da mesma forma.

Sua função é ética. Como um teste: você conseguiria desejar que sua vida, com tudo o que ela contém, se repetisse eternamente?

Quem responde sim alcançou a afirmação plena da existência.

O Amor Fati

Amor Fati é uma das ideias mais radicais de Nietzsche. Não se trata de aceitar o que acontece com resignação, nem de fingir que a dor não dói.

É amar o destino tal como ele é, com tudo o que ele contém, inclusive o sofrimento, o fracasso e a perda.

"Amor fati: seja este, doravante, o meu amor. Não quero fazer guerra ao que é feio. Quero ser, algum dia, apenas alguém que diz sim." (A Gaia Ciência, aforisma 276),

Em resumo: é a capacidade de querer exatamente a vida que se teve.

A Moral de Senhores e a Moral de Escravos

Em A Genealogia da Moral, Nietzsche investigou a origem dos conceitos de bem e mal. Identificou dois sistemas opostos.

A moral de senhores nasce da autoafirmação: o forte define o que é bom a partir de si mesmo.

A moral de escravos nasce do ressentimento: o fraco define o bem por oposição ao forte, chamando de "mau" tudo o que o amedronta.

Para Nietzsche, o triunfo do cristianismo representou a vitória da moral de escravos, que transformou humildade, obediência e igualdade em virtudes supremas, em detrimento da vitalidade e da excelência individual.

"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte”. (Crepúsculo dos ídolos)

Friedrich Nietzsche não viu o impacto que sua obra teria

Em janeiro de 1889, em Turim, ele colapsou mentalmente. Nunca mais se recuperou.

Passou os últimos onze anos de vida em silêncio, primeiro sob os cuidados da mãe e depois da irmã Elisabeth, que aproveitou o período para distorcer sua obra e aproximá-la do nacionalismo alemão.

Ele morreu em 25 de agosto de 1900, em Weimar, aos 55 anos.

Nietzsche foi um dos filósofos que mais moldaram o pensamento contemporâneo. Mas ele não surgiu do nada, e seu impacto não pode ser compreendido sem entender o que veio antes dele.

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