Ataque aconteceu durante sepultamento de adolescente morto em confronto policial dois dias antes.

O sepultamento de um adolescente de 17 anos terminou em correria, tiros e um caixão perfurado por disparos.
Homens armados invadiram o Cemitério Municipal de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, na quinta-feira (21), e abriram fogo durante o enterro de Uanderson Nascimento Lima, morto dois dias antes em uma ação policial.
Vídeos gravados por testemunhas mostram pessoas correndo e gritando enquanto tentam fugir dos disparos.
Segundo a Polícia Civil, nenhuma outra pessoa ficou ferida.
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Informações divulgadas inicialmente pela imprensa local apontam que o adolescente era conhecido pelo apelido de “Maquinista” e teria ligação com o Comando Vermelho.
Relatos obtidos pelo portal BNews indicam que o enterro acontecia em uma área associada ao domínio do grupo rival Bonde do Maluco (BDM).
A suspeita levantada é de que o ataque tenha sido motivado por disputa entre facções e tentativa de impedir o sepultamento na região.
Até o momento, a polícia não confirmou oficialmente essa motivação.
Segundo a Polícia Militar, Uanderson foi morto na terça-feira (19), após uma troca de tiros com agentes da 36ª Companhia Independente da PM (CIPM) durante rondas no bairro Concórdia, em Dias d’Ávila.
Os policiais afirmam que homens armados atiraram contra a equipe e houve reação.
Após o confronto, o adolescente foi encontrado ferido, levado para atendimento médico, mas não resistiu.
Com ele, segundo a PM, foram apreendidos:
um revólver;
drogas em quantidade não detalhada;
dois celulares.
Na noite do mesmo dia do ataque ao cemitério, um dos suspeitos de participar da ação morreu após confronto com policiais da Rondesp RMS.
Segundo a corporação, o homem chegou a ser levado para uma unidade de saúde, mas morreu após dar entrada no local.
Com ele, a polícia apreendeu:
uma metralhadora 9 mm;
quatro munições;
três porções de substância semelhante à cocaína.
A identidade do suspeito não foi divulgada.
Mesmo depois do ataque e da violação do caixão, o sepultamento foi concluído.
A corporação não informou se uma nova perícia foi realizada no corpo nem se a família precisou substituir o caixão.
O caso segue sob investigação.
Casos como o de Dias d’Ávila mostram como facções criminosas ultrapassam o tráfico, disputam territórios e passam a influenciar a rotina de cidades inteiras, resolvendo seus problemas até mesmo durante um sepultamento.
Mas como um país enfrenta um problema que parece impossível de resolver?
Em El Salvador, durante anos considerado um dos lugares mais violentos do mundo fora de zonas de guerra, o governo de Nayib Bukele adotou medidas duras contra gangues.
O país passou a registrar uma queda histórica nos homicídios e se transformou no local mais seguro o ocidente.
Para entender o que mudou, como isso aconteceu e quais foram os custos dessa transformação, a Brasil Paralelo levou suas câmeras até o CECOT, a prisão que se tornou símbolo da política de segurança salvadorenha.
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