Autora nega ter usado inteligência artificial e afirma que a ferramenta foi utilizada pelo revisor contratado para editar o livro.

Um romance de terror foi retirado de circulação depois que testes indicaram que 78% do texto pode ter sido gerado por inteligência artificial.
O livro chamado Shy Girl é o primeiro caso conhecido de uma obra publicada por uma grande editora a ser cancelado por esse motivo.
A história começa em fevereiro de 2025, quando o livro foi autopublicado pela autora Mia Ballard.
O romance fala sobre uma jovem mantida refém por um homem que conheceu online e forçada a viver como seu animal de estimação e rapidamente conquistou leitores do gênero terror.
A editora Hachette publicou a obra no Reino Unido e planejava lançá-lo nos Estados Unidos.
No início deste ano, Max Spero, criador de um programa Pangram que detecta textos gerados por IA, ouviu as suspeitas que circulavam na internet e decidiu testar o livro. O resultado: 78% do texto apresentava características de escrita artificial.
O New York Times também analisou trechos usando outras ferramentas e encontrou padrões recorrentes: falhas de lógica, adjetivos melodramáticos em excesso e uma dependência exagerada da regra de três.
Frases como "a pausa parece uma faca no meu peito, afiada e implacável" e "pressiono o telefone contra meus lábios, a tela fria e implacável" foram sinalizadas como típicas de inteligência artificial.
Ballard negou ter usado IA para escrever o livro. Em email ao New York Times, ela afirmou que um conhecido contratado para editar a versão é quem teria usado a tecnologia.
A Hachette cancelou o lançamento nos EUA e anunciou que pararia com a edição britânica após uma análise longa e minuciosa.
Uma pesquisa da Universidade Stony Brook analisou mais de 14 mil romances autopublicados na Amazon e descobriu que quase 20% continham texto substancialmente gerado por IA, número que cresceu 41% entre 2024 e 2025.
A maioria das grandes editoras não proíbe explicitamente o uso de IA em seus contratos. Elas se baseiam em cláusulas que exigem que o trabalho seja "original", sem definir onde essa linha está.
"É como o plágio, você está à mercê do autor. Precisamos ter confiança em nossos parceiros,’, disse Morgan Entrekin, editor da Grove Atlantic.
Editores reconhecem que autores usam IA de formas variadas, para sugerir tramas e propor finais alternativos, sem necessariamente entregar um livro gerado por máquina.
Onde termina o uso legítimo e começa a fraude é uma pergunta que o mercado editorial ainda não sabe responder.
"A vergonha em torno da IA está causando mais mal do que bem", afirmou o pesquisador Tuhin Chakrabarty.
Se uma IA já consegue escrever um romance inteiro e passar pelo crivo de uma grande editora, a pergunta que fica é: o que ainda é insubstituível no pensamento humano?
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