O sistema permite que seu voto seja sempre pautado por escolha popular.

Pela primeira vez na história da América Latina, uma inteligência artificial poderá ser eleita para representar o povo em um congresso nacional.
Com mais de 11 mil seguidores no Instagram, uma mulher indígena de pele azul e voz robótica promete transformar a política da Colômbia. Ela foi chamada de Gaitana IA.
O projeto disputa simultaneamente vagas no Senado e na Câmara de Representantes pela Circunscrição Especial Indígena, mecanismo que reserva cadeiras no Congresso a representantes de povos originários. As eleições gerais acontecerão no dia 8 de março.
A plataforma foi idealizada pelo engenheiro mecatrônico Carlos Redondo, integrante da comunidade indígena Zenú.
Segundo ele, o sistema permite a tomada de decisões coletivas, o que foi inspirado nas práticas tradicionais de liderança indígena.
“Nas nossas comunidades, o ego do líder não existe. Cacique é o ancião que vai de casa em casa buscando consenso… Começamos a estudar toda essa nossa cosmovisão. O único passo que faltava era digitalizá-la.”
O modelo funciona da seguinte maneira. Os usuários alimentam a IA enviando temas e sugestões.
A inteligência artificial organiza as informações, resume projetos de lei e apresenta versões simplificadas do conteúdo.
“Se for uma lei de 200 páginas, ela reduz a cinco infográficos, compartilha com toda a comunidade de Gaitana, que hoje reúne mais de 10 mil integrantes, e essas pessoas começam a opinar”, explica Redondo.
A comunidade vota e a decisão é tomada por maioria simples. O resultado final determinará o voto oficial no Congresso.
O criador afirma que, mesmo que parte dos usuários tente boicotar o sistema, seria necessária uma mobilização com cerca de 6 mil pessoas para alterar as decisões.
O Conselho Nacional Eleitoral inicialmente rejeitou a candidatura sob argumento de inconstitucionalidade.
Embora seja apresentada como candidata, a inteligência artificial não pode ser formalmente registrada na Colômbia.
As leis do país autorizam que apenas pessoas físicas possam disputar eleições e participar da vida política.
Por isso, o registro eleitoral foi feito em nome de Carlos Redondo. Caso eleito, ele ocupará a cadeira no Congresso e se comprometerá a votar de acordo com as decisões geradas na plataforma.
Essa não é a primeira vez que um país usa a Inteligência Artificial para ocupar um cargo público.
Na Albânia, o primeiro-ministro Edi Rama anunciou a nomeação de uma ministra digital chamada Diella, criada por inteligência artificial.
Ela passou a integrar o gabinete com a responsabilidade de supervisionar decisões sobre licitações públicas, com o objetivo declarado de tornar os processos “100% livres de corrupção”.
Segundo o governo albanês, o sistema também terá assistentes parlamentares virtuais que acompanharão sessões e auxiliarão deputados na análise de propostas legislativas.
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