Mesmo com o crescimento, empresários apontam que a taxa de juros e a falta de mão de obra qualificada são os principais vilões.

O mercado brasileiro vive hoje um cenário curioso: enquanto metade dos empresários teme que a economia do país piore em 2026, a maioria absoluta acredita que o seu próprio negócio vai prosperar.
Isso é o que aponta o relatório “Raio X do Empreendedor”, realizado pelo G4. Quase 60% das pequenas e médias empresas registraram alta no faturamento no último ano.
Esse fenômeno foi chamado de "descolamento entre o PIB e o CNPJ". Na prática, significa que o dono do negócio aprendeu a operar em meio às incertezas.
Como explica Misa Antonini, CEO do G4:
“Cerca de 70% dos empreendedores têm o CPF ‘na reta’, o que torna esses dados um diagnóstico real do 'chão de fábrica' e não apenas uma análise teórica”.
Apesar do crescimento, o caminho não é livre de barreiras. Para quem atua na indústria, o maior vilão é a taxa de juros (Selic). O crédito caro impede que fábricas comprem máquinas novas e se modernizem.
“O empresário quer investir, mas o cálculo do retorno simplesmente não fecha com o atual patamar de juros”, analisa Antonini.
Além do custo do dinheiro, falta gente qualificada. Quase metade das empresas afirma que só não cresceu mais em 2025 porque não conseguiu contratar ou manter pessoas preparadas.
Isso mudou a prioridade dos investimentos para este ano: agora, o foco está em treinar as equipes internas para garantir produtividade.
O estudo também aponta para uma contradição tecnológica. Embora 75% dos líderes vejam a Inteligência Artificial como o grande "bote salva-vidas" para o futuro, apenas 22% sabem como usá-la de verdade.
O restante ainda trabalha de forma artesanal, dependendo de planilhas manuais.
Para vencer esse cenário de instabilidade, as empresas estão focando no que podem controlar:
Entender os números reais de quem movimenta a economia é o primeiro passo para uma gestão segura.
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