Senador possui um histórico de críticas a Valdemar Costa Neto e à Família Bolsonaro. Procurado, ele não quis se manifestar sobre o caso.

Sergio Moro e o PL já se desentenderam no passado. Em 2023, o partido de Valdemar Costa Neto se uniu ao PT para pedir a cassação do mandato do senador, acusando-o de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
O Ministério Público chegou a pedir sua inelegibilidade. O TSE rejeitou o recurso por unanimidade.
Agora, às vésperas de mais uma eleição, os dois estavam sentados à mesma mesa para firmar uma nova aliança.
Moro deve deixar o União Brasil e se filiar ao PL na próxima semana. Em troca, o partido apoiará sua pré-candidatura ao governo do Paraná.
Do outro lado do acordo, Flávio Bolsonaro garante o palanque que precisava no quinto maior colégio eleitoral do país.
"É uma grande alegria estar aqui com meu amigo Sergio Moro. Ele é o nosso pré-candidato a governador do Paraná. Uma pessoa que compartilha das mesmas pautas e entende o momento que o Brasil passa", disse Flávio.
Moro respondeu em poucas palavras: "Vamos mudar esse país."
O encontro reuniu ainda o presidente do PL, Valdemar Costa Neto que afirmou que o partido apoia Moro mesmo que a filiação não se concretize.
"As portas do partido estão abertas".
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Moro deixou o Ministério da Justiça em abril de 2020, após desentendimento com o ex-presidente Bolsonaro pela troca do diretor-geral da Polícia Federal.
A saída veio acompanhada de acusações públicas de interferência política. Nos anos seguintes, o PL tratou Moro como adversário. A ação conjunta com o PT para cassar seu mandato foi o ponto mais tenso da relação.
Após o rompimento, o ex-juiz da Lava Jato passou a afirmar que a pessoa por trás do governo Bolsonaro era Valdemar Costa Neto. Em podcasts, Moro relembrou o histórico político do dirigente do PL.
A reconciliação começou a tomar forma quando Ratinho Junior, governador do Paraná e aliado histórico do PL no estado, sinalizou que seria candidato à Presidência contra Flávio Bolsonaro em 2026.
O rompimento com o PSD abriu espaço para uma nova aliança: Moro como candidato ao governo paranaense, servindo de palanque estadual para a candidatura nacional de Flávio.
Para Moro, o acordo pode resolver um problema. No União Brasil, ele enfrenta resistências internas que podem barrar sua candidatura. Isso mesmo liderando as pesquisas no Paraná com entre 40% e 47% das intenções de voto, segundo levantamento do Paraná Pesquisas.
Nos bastidores, o nome do deputado Fernando Giacobo, presidente do PL paranaense, é cotado para vice na chapa de Moro.
A Brasil Paralelo entrou em contato com o senador Sergio Moro para comentar a aliança com o PL e o histórico de conflitos entre as duas partes. Ele não quis se pronunciar.
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