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Investigadores encontram minuta no celular de Vorcaro que tentava paralisar o Banco Central

Arquivo sem autor foi criado dias antes de o governo do DF fazer pedido idêntico ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Daniel Vorcaro
Fonte da imagem: Bloomberg

Entre os 12 mil documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, a Polícia Federal encontrou um arquivo de Word intitulado "TCU_mora_excessiva".

O documento era uma minuta, um rascunho, de decisão do Tribunal de Contas da União  (TCU) desenhada para paralisar o Banco Central. O arquivo foi criado em 29 de agosto de 2025, sem assinatura e sem autor identificado.

Seu conteúdo determinava que o BC suspendesse "toda e qualquer decisão" sobre o Banco Master e previa o depoimento de técnicos da autoridade monetária em dez dias.

Era exatamente o momento em que o Banco Central se aproximava de um veto definitivo sobre a venda de carteiras de crédito do Master ao BRB, operação de R$12 bilhões sob suspeita de irregularidades.

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As semelhanças com outros documentos do tribunal

No dia 3 de setembro, logo após o BC vetar oficialmente a compra do Master pelo BRB, o governo do Distrito Federal solicitou ao TCU a suspensão imediata de quaisquer decisões do regulador, pedido com semelhanças à redação da minuta encontrada no celular de Vorcaro.

O relator do caso no TCU era o ministro Jhonatan de Jesus, indicado ao cargo com apoio do senador Ciro Nogueira, amigo de Vorcaro.

Jhonatan chegou a ameaçar reverter a liquidação extrajudicial do Master decretada em novembro, mas recuou após pressão de colegas da corte, do STF e do mercado financeiro.

No último dia 24, suspendeu o processo que analisava a atuação do BC até que as investigações criminais sejam concluídas.

Vorcaro está preso desde 17 de novembro e sinaliza que pretende firmar um acordo de delação premiada.

Sua defesa afirmou que não comentará o conteúdo de documentos sigilosos vindos de "vazamentos ilegais", ressaltando que o caso é investigado pelo ministro André Mendonça, do STF. O BRB e o governo de Ibaneis Rocha ainda não se manifestaram.

Para entender as várias camadas do caso Master, é preciso ir além das manchetes.

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