Votação levou a um crescimento das siglas árabes e pode levar à queda do primeiro-ministro.

Um dia após os israelenses irem para as urnas na primeira eleição nacional desde o atentado de 7 de outubro, o primeiro-ministro do país fala em fraude eleitoral.
Netanyahu fez uma publicação em sua conta no X acusando os partidos árabes de comprarem votos e intimidarem membros das seções eleitorais.
Ele informou que entrou com o pedido para a Justiça eleitoral e o serviço de segurança interna, Shin Bet, investigarem o caso:
“O Partido Likud está enviando à polícia, ao Shin Bet e ao Comitê Central Eleitoral centenas de testemunhos e evidências de roubo de eleições em muitas seções eleitorais árabes — milhares de envelopes com dinheiro em espécie e votos da Ra'am, ameaças e violência contra membros das seções eleitorais, múltiplos eleitores atrás do biombo, votações em dupla identidade, discrepâncias entre o número de envelopes e o número de eleitores, uso de softwares de mobilização proibidos e mais.”
Além de falar da possibilidade de esses crimes terem acontecido, Netanyahu também acusou os partidos árabes de apoiarem o terrorismo e cometerem ilegalidades:
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judaico por meio de crimes penais graves de suborno, ameaças, violência, falsificações e uso de softwares proibidos para mobilização de eleitores.”
Entenda o conflito entre árabes e israelenses com o documentário From The River To The Sea. Assista completo abaixo:
Com 85% dos votos apurados, a coligação governista conseguiu 53 cadeiras no parlamento. Para governar, são necessárias ao menos 61.
Enquanto isso, a oposição liderada pelo ex-comandante das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, conseguiu 45 cadeiras.
A eleição foi marcada pelo crescimento dos partidos árabes, que somaram 17 cadeiras.
Yussef Jabareen, líder da Lista Unificada, que reúne três siglas árabes, ofereceu seu apoio à oposição:
“Quem quiser oferecer uma alternativa real e autêntica ao governo de Netanyahu, cujas mãos estão manchadas de sangue, deve nos procurar e abrir caminho para a mudança”.
No entanto, Netanyahu e Eisenkot afirmam que não vão governar com partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população.
Caso o Likud seja derrotado por uma aliança da oposição, o país voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo em sua história.
Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999. Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.
Conheça a trajetória de Netanyahu com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo: