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A 400 mil quilômetros da Terra, um astronauta da Artemis II pediu que a Lua guardasse o nome da sua esposa

Reid Wiseman ficou viúvo, criou as filhas sozinho e seis anos depois comandou a missão que foi mais longe da Terra na história.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Cockpitch da nave Orion
Fonte da imagem: Nasa

400.171 quilômetros. É a distância que separa a Terra do ponto mais longe que qualquer ser humano já chegou no espaço.

Para ter uma ideia do que esse número significa: é equivalente a dar mais de dez voltas ao redor da Terra.

Nesse momento histórico, a tripulação fez um pedido ao Centro de Controle da Missão. Queriam batizar uma cratera recém-identificada na superfície da Lua. E lembraram de uma pessoa que ficou para trás.

"Gostaríamos de chamá-la de Carroll", disse o astronauta Jeremy Hansen, com a voz emocionada.

Carroll era o nome da esposa do comandante Reid Wiseman. Ela faleceu em 17 de maio de 2020, aos 46 anos, após cinco anos lutando contra o câncer.

Ao ouvir o pedido, Wiseman chorou. Hansen lhe deu um tapinha no ombro. Victor Glover e Christina Koch se aproximaram. Os quatro se abraçaram a mais de 400 mil quilômetros da Terra.

Quem foi Carroll?

Carroll Taylor Wiseman trabalhava como enfermeira em uma unidade de terapia intensiva neonatal, dedicando a carreira a cuidar de recém-nascidos em estado grave.

Em 2015, foi diagnosticada com câncer. Ela lutou por cinco anos. Deixou Reid, as filhas Katie e Ellie e uma família inteira.

Durante o período em que Carroll estava doente, Reid recuou do serviço de voo ativo na NASA para cuidar da família. Depois da morte da esposa, criou as filhas sozinho e retomou os planos no programa espacial.

Ele diz que ser pai solteiro é a coisa mais difícil e mais gratificante que já fez. Mais difícil do que voar para o espaço.

Pouco antes de embarcar na Artemis 2, Reid publicou uma selfie com Katie e Ellie ao lado da espaçonave.

"Eu amo essas duas mulheres. Estou embarcando nesse foguete como um pai muito orgulhoso."

A cratera Carroll

Durante o sobrevoo lunar, a tripulação identificou duas crateras não nomeadas na superfície da Lua. Para uma foi sugerido o nome de Integrity, em referência à espaçonave Orion.

A outra recebeu a sugestão de Carroll. Hansen a descreveu como um ponto brilhante na superfície lunar, visível da Terra em certos períodos do ciclo lunar.

As duas sugestões ainda precisam ser aprovadas pela União Astronômica Internacional, órgão responsável pela nomenclatura oficial de corpos celestes. O nome é uma proposta. Mas o momento em que foi feito já é permanente.

A Artemis 2 é a primeira missão tripulada ao entorno da Lua em mais de 50 anos. E foi nela que, no ponto mais distante já alcançado por humanos, um pai e viúvo deixou o nome da mulher que amou gravado na superfície da Lua.

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