Influenciadoras replicam técnicas usadas pelo movimento redpill, mas focado para mulheres.

Ao longo dos últimos anos, o movimento Redpill se popularizou na internet e ganhou destaque na mídia.
No filme Matrix, a pílula vermelha revela a realidade escondida por trás de uma simulação.
Inspirados na trama, influenciadores afirmam que a sociedade moderna privilegiaria as mulheres e a filosofia Redpill serve para "despertar" os homens.
Agora, as redes sociais estão abrindo espaço para uma nova cultura digital que caminha na direção oposta, o movimento Pinkpill.
Embora o nome esteja cada vez mais presente em vídeos, publicações e debates sobre relacionamentos, não existe uma definição única para o termo.
Assim como acontece com os Red Pills, o Pink Pill abrange uma esfera ampla de conteúdos, que vão desde incentivo à autoestima até posições radicais sobre homens e relacionamentos.
A Brasil Paralelo investigou por que a relação entre homens e mulheres está cada vez mais tensa em um documentário inédito. Continue acompanhando para saber mais.
A pesquisadora Jilly Kay, da Universidade Loughborough, estudou o fenômeno em um artigo sobre as relações entre os sexos nas redes.
Ela explica que a dinâmica da Pinkpill é semelhante ao que acontece com o movimento redpill.
As simpatizantes desse movimento enxergam as desigualdades entre homens e mulheres como algo natural, que não pode ser extinto, apenas manipulado:
“Na femosfera, a desigualdade entre homens e mulheres é aceita como uma ‘verdade brutal’: ela não pode ser abolida nem enfrentada em escala coletiva, apenas negociada estrategicamente ou transformada em um "jogo" no plano individual.”
Kay também analisa a forma como se comportam as influenciadoras ligadas às ideias do Pinkpill.
Algumas delas chegam a ser comparadas pela mídia com Andrew Tate, um dos maiores símbolos da pílula vermelha.
Não apenas com ele, mas com a maioria dos influenciadores que procuram aplicar essa filosofia para homens jovens em busca de parceiras.
“Elas defendem um interesse próprio radical e oferecem às mulheres estratégias concretas para manipular homens que espelham muitas das técnicas ensinadas na manosfera”, explica Kelly.
Um exemplo disso é a influenciadora Francesca Pychology. Em um vídeo, ela ensina técnicas para deixar alguém “obcecado” pela espectadora.
Ao longo do vídeo, ela fala em técnicas que incluem “você precisa ser a única fonte de afeto, eles sentirão que precisam de você”.
Apenas no Tik Tok, ela conta com 1,2 milhões de seguidores, hoje (27). Isso demonstra o alcance desse tipo de material nas redes.
Em comunidades voltadas às ideias do pink pill no reddit, como a Female Dating Strategy, as usuárias se referem aos homens como “escrotos”.
As usuárias costumam defender que o valor de um homem está mais ligado a questões financeiras do que físicas e de personalidade.
No Brasil, algumas influenciadoras já se enquadram na filosofia e na estética do movimento Pinkpill.
Um dos maiores nomes desse segmento é a influenciadora que responde por Brendioous, com 104 mil seguidores hoje (27).
Seus vídeos normalmente falam sobre questões ligadas à autoestima feminina e dicas de relacionamento.
No entanto, ela tem um catálogo de Ebooks disponíveis para venda na TikTok Shop com títulos como:
Chora nos meus pés: o guia definitivo para trazer seu ex de volta;
99 segredos da mulher mimada: faça ele sentir um desejo insaciável de te mimar;
Sinais para uma boa vadia má: desvende os sinais do comportamento tóxico masculino e nunca mais seja feita de capacho por homem.

Seguindo por um lado que pode ser considerado mais perigoso, estão as influenciadoras Cah Fernandes e Hyla.
Em um vídeo protagonizado pelas duas, elas táticas como ferver açúcar na água para grudar e queimar na pele, improvisar armas e até como ocultar cadáveres:
“Se a louça não tiver jeito, Coloque tudo dentro de uma caixa grande para que quatro ou seis pessoas levem embora, o importante é que você não pode chegar perto dessa caixa”.
Ao longo do vídeo elas aparecem lavando e afiando facas e usam a palavra louça como uma referência a homens.
Vale destacar que em diversos momentos, as duas fazem referências a essas táticas servirem para homens abusivos.
Ao longo dos últimos anos, a relação entre homens e mulheres tem ficado cada vez mais tensa.
Narrativas em ambos os lados têm transformado a realidade moderna em uma verdadeira guerra dos sexos.
A Brasil Paralelo investigou essa situação em um documentário inédito. Continue acompanhando para saber mais.