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Ex-agente do BOPE e policial militar que participavam de rede de espionagem do Comando Vermelho são presos

Os dois vendiam informações sobre grandes operações em favelas.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Policiais civis falando sobre operação Red Legacy na qual dois policiais foram presos por venderem informações
Fonte da imagem: G1

Dois sargentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro foram presos por vazar operações policiais para chefes do Comando Vermelho. 

Rodolfo trabalhava no setor de logística do Bope, isso significava que ele sabia com antecedência onde as operações iriam acontecer

Seu contato era Carlos da Costa Neves, mais conhecido como "Gadernal", que coordenava  ações de invasão de território do grupo

Gadernal, por sua vez, repassava tudo a Edgar Alves de Andrade, o "Doca", considerado o maior chefe em liberdade da facção e principal alvo da operação

No período investigado, Rodolfo vazou ao menos duas operações nos complexos da Penha e do Alemão

Em uma delas, em janeiro de 2024, a PM tentou surpreender os criminosos na região da Vacaria, no alto do Complexo da Penha. A ação acabou sem prisões.

Já Luciano, o segundo preso, trabalhava há oito anos no Tribunal de Justiça e estava em apoio ao Tribunal do Júri

Segundo a Polícia Federal, ele repassava informações atribuídas a uma outra fonte do BOPE não identificada para o traficante Elbert Luiz dos Santos, o "Pinduca".

Ex-agente do BOPE foi perseguido por 14 km enquanto fugia da polícia

Quando os agentes da Polícia Federal e da Corregedoria da PM chegaram à casa de Rodolfo, no bairro Cosmorama, em Mesquita, ele tentou fugir

Saiu do prédio em um carro blindado, bateu em uma viatura da PF na porta de casa e arrancou

Foi perseguido por 14 quilômetros até ser detido na Avenida Brasil, na altura da favela Parada de Lucas.

A operação desta segunda, batizada de Tredo, cumpriu 11 mandados de prisão expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio. 

Além dos dois sargentos, já estava preso Thiago do Nascimento Mendes, o "Belão", capturado durante a operação nos complexos em outubro, quando 122 pessoas morreram.

Oito alvos continuam foragidos, entre eles:

  • Edgar Alves de Andrade, o Doca;

  • Elbert Luiz dos Santos, o Pinduca;

  • Carlos da Costa Neves, o Gadernal;

  • Washington Cesar Braga da Silva, o Grande;

  • Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW;

  • Manoel Cinquine Pereira, o Paulista, e

  • Dalton Luiz Vieira Santana, o DT;

  • Luiz Carlos da Silva Raimundo.

A PM informou que instaurou procedimento interno para apurar os casos e que "atua de forma firme e transparente no combate a desvios individuais". 

O Rio de Janeiro se transformou em uma verdadeira zona de guerra, não apenas com disputas entre facções, como também com uma ampla rede de espionagem e informações dentro do Estado.

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