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Por que os EUA ameaçam um novo tarifaço contra o Brasil?

Itamaraty acredita na possibilidade de negociar, apesar de embaixadores falarem que a decisão é política.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Trump e Lula conversando
Fonte da imagem: Reprodução

O Representante Comercial dos Estados Unidos no Brasil, Jamieson Greer, propôs uma nova tarifa de 25% contra o país

A ideia apareceu em um documento divulgado na noite de ontem (01) e afeta todos os produtos brasileiros, salvo as que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional".

A proposta chega à mesa do presidente Trump após o fim das investigações ligadas à Seção 301 da Lei de Comércio americana.

O artigo autoriza o governo americano a investigar práticas comerciais de outros países que possam ser consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos norte-americanos.

"Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil", afirmou Greer.

Apesar do representante falar que teve reuniões “construtivas” com Lula e seus ministros, ele disse que não houve acordo.

O governo brasileiro tem até o dia 15 de junho para se defender das acusações americanas.

Quais os principais pontos investigados?

No caso, alguns dos principais pontos levantados pelo governo incluem a regulamentação de redes sociais americanas e o uso do Pix no Brasil.

Ao longo das últimas semanas, o governo federal avançou na pauta através de dois decretos presidenciais.

Os documentos regulamentaram como as Big Techs serão cobradas e responsabilizadas por conteúdos divulgados por seus usuários, mesmo sem decisão judicial.

Eles confirmam a decisão do STF que alterou o Marco Civil da Internet para procurar responsabilizar as plataformas.

Pix na mira dos EUA

Grandes empresas americanas de cartão de crédito e pagamentos digitais temem o sistema de pagamento brasileiro.

No mundo, o mercado de pagamentos digitais é dominado por empresas americanas como Visa, Mastercard, Google, Apple ou WhatsApp.

O governo americano alega que essas gigantes do mercado têm sido lesadas pela concorrência com o sistema criado pelo Banco Central.

Itamaraty ainda vê espaço para negociar

Segundo fontes ligadas às negociações ouvidas pela CNN, o Itamaraty ainda acredita na possibilidade de negociar as tarifas.

Eles afirmam que o relatório é uma espécie de “corda no pescoço”, porém as negociações que acontecem desde o ano passado mostram que há possibilidade de flexibilização.

No final da semana passada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentou uma proposta para reduzir tarifas sobre produtos importados dos EUA.

Apesar de ser considerada uma medida tímida, é vista pelo governo Lula como um primeiro passo promissor.

Um embaixador falou que a gestão Trump ignorou as conversas com o Brasil ao longo dos últimos meses por motivações políticas, reportou o portal Terra.

Ele também destacou que a medida vem uma semana após o encontro entre o presidente americano e Flávio Bolsonaro.