Itamaraty acredita na possibilidade de negociar, apesar de embaixadores falarem que a decisão é política.

O Representante Comercial dos Estados Unidos no Brasil, Jamieson Greer, propôs uma nova tarifa de 25% contra o país.
A ideia apareceu em um documento divulgado na noite de ontem (01) e afeta todos os produtos brasileiros, salvo as que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional".
A proposta chega à mesa do presidente Trump após o fim das investigações ligadas à Seção 301 da Lei de Comércio americana.
O artigo autoriza o governo americano a investigar práticas comerciais de outros países que possam ser consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos norte-americanos.
"Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil", afirmou Greer.
Apesar do representante falar que teve reuniões “construtivas” com Lula e seus ministros, ele disse que não houve acordo.
O governo brasileiro tem até o dia 15 de junho para se defender das acusações americanas.
No caso, alguns dos principais pontos levantados pelo governo incluem a regulamentação de redes sociais americanas e o uso do Pix no Brasil.
Ao longo das últimas semanas, o governo federal avançou na pauta através de dois decretos presidenciais.
Os documentos regulamentaram como as Big Techs serão cobradas e responsabilizadas por conteúdos divulgados por seus usuários, mesmo sem decisão judicial.
Eles confirmam a decisão do STF que alterou o Marco Civil da Internet para procurar responsabilizar as plataformas.
Grandes empresas americanas de cartão de crédito e pagamentos digitais temem o sistema de pagamento brasileiro.
No mundo, o mercado de pagamentos digitais é dominado por empresas americanas como Visa, Mastercard, Google, Apple ou WhatsApp.
O governo americano alega que essas gigantes do mercado têm sido lesadas pela concorrência com o sistema criado pelo Banco Central.
Segundo fontes ligadas às negociações ouvidas pela CNN, o Itamaraty ainda acredita na possibilidade de negociar as tarifas.
Eles afirmam que o relatório é uma espécie de “corda no pescoço”, porém as negociações que acontecem desde o ano passado mostram que há possibilidade de flexibilização.
No final da semana passada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentou uma proposta para reduzir tarifas sobre produtos importados dos EUA.
Apesar de ser considerada uma medida tímida, é vista pelo governo Lula como um primeiro passo promissor.
Um embaixador falou que a gestão Trump ignorou as conversas com o Brasil ao longo dos últimos meses por motivações políticas, reportou o portal Terra.
Ele também destacou que a medida vem uma semana após o encontro entre o presidente americano e Flávio Bolsonaro.