O político desdenhou da cidade de Belém durante evento.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, causou polêmica ao desdenhar de Belém, cidade que abriga a COP30.
Enquanto discursava durante o Congresso Alemão do Comércio, em Berlim, Merz falou que a Alemanha é um dos melhores países do mundo.
Para provar seu ponto, ele contou que perguntou para jornalistas que acompanhavam a COP se alguém queria ficar no Brasil, nenhum deles teria levantado a mão.
Em um tom de desdém, ele destacou que todos ficaram felizes por voltar para casa, principalmente por terem deixado Belém:
"Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: 'Quem de vocês gostaria de ficar aqui?' Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos."
A fala ocorreu enquanto o chanceler defendia o ambiente econômico e social da Alemanha, chamando o país de “um dos mais livres do mundo”.
Ele continuou dizendo que “vale a pena defender nosso país, nossa democracia e nossa ordem econômica".
Belém já havia sido alvo de críticas internacionais antes mesmo do evento. Em junho, 25 assinaram uma carta pedindo a mudança de sede do evento por problemas logísticos e altos preços de hospedaria.
Na COP30, Mertz disse que seu país contribuirá com “uma quantia significativa” para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
A iniciativa idealizada pelo governo brasileiro pretende disponibilizar bilhões para ajudar países que preservam suas florestas.
A fala do chanceler foi vista com maus olhos, já que ele não especificou valores nem formalizou o compromisso, o que pode ser visto como sinal de hesitação.
A Brasil Paralelo investigou os interesses por trás da COP30 em uma trilogia com o jornalista Leandro Narloch. Clique aqui para assistir ao primeiro episódio completo.
Friedrich Merz é líder da União Democrata Cristã (CDU) e ocupa o cargo de chanceler da Alemanha desde maio de 2025.
Ele assumiu o comando após vitória nas eleições de fevereiro daquele ano. Formado em Direito, ele já havia atuado como deputado no Parlamento Europeu e no Bundestag.
Durante mais de uma década, ficou afastado da política, período em que trabalhou como advogado e atuou no setor financeiro, incluindo uma função de supervisão na filial alemã da BlackRock.
Com um discurso conservador e firme na pauta migratória, Merz retornou à vida pública prometendo recuperar eleitores da direita tradicional que migraram para o partido Alternativa para a Alemanha (AfD).
Seu governo é marcado por uma retórica mais dura sobre imigração e por críticas à política ambiental dissociada do crescimento econômico.
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