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Esse detalhe fez um dos maiores gênios da história da arte morrer arrependido

Obra-prima esculpida há mais de 500 anos guarda uma assinatura discreta no peito da Virgem Maria.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Pietá
Fonte da imagem: Basílica de São Pedro

Michelangelo transformou um bloco de mármore em uma das imagens mais comoventes da história da arte.

Na Pietà, Maria segura no colo o corpo morto de Jesus Cristo logo após a crucificação.

A cena é conhecida, mas o impacto da obra está nos detalhes. Da pedra, o artista é capaz de representar com perfeição a carne, o tecido e o sentimento por trás da cena.

Hoje, a escultura está hoje na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e impressiona justamente porque parece vencer o material de que foi feita. O mármore ganha peso nas vestes de Maria, suavidade no corpo de Cristo e humanidade nas expressões.

O artista Robert Florczak, entrevistado pela Brasil Paralelo no documentário O Fim da Beleza, explicou esse poder ao falar de outra obra de Michelangelo, o Davi.

Segundo ele, não se trata apenas de um bloco de pedra. O extraordinário está na capacidade do artista de transformar aquela matéria bruta em algo humano, capaz de criar uma conexão com quem olha.

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O detalhe que levou o artista a se arrepender

A partir deste bloco de pedra, Michelangelo deu forma à dor de uma mãe diante do filho morto. Mas há um detalhe na obra que revela um lado menos conhecido do artista.

Sobre o peito de Maria, em uma faixa que atravessa suas vestes, Michelangelo gravou uma inscrição em latim:

“Michelangelo Buonarroti, o florentino, fez isto.”

Pietá

É uma assinatura pequena, quase escondida. Ainda assim, ela carrega uma história curiosa.

Segundo relatos atribuídos ao biógrafo Giorgio Vasari, Michelangelo teria assinado a escultura depois de ouvir pessoas atribuírem a obra a outro artista.

Ele era jovem, tinha pouco mais de 20 anos, e queria que todos soubessem quem havia criado aquela peça.

O gesto é compreensível. A autoria começou a ganhar força no Renascimento. O artista já não era apenas um artesão anônimo a serviço de reis, cardeais e igrejas. Era também um nome, uma reputação, uma marca de excelência.

Mas, no caso da Pietà, a assinatura parece ter pesado.

Um artista arrependido

Michelangelo teria se arrependido depois de gravar o próprio nome no mármore. A obra tratava da entrega e do sacrifício. E, no centro dessa cena, aparecia também a afirmação do autor.

A Pietà continua sendo uma das obras mais importantes do cristianismo e da arte ocidental. Não apenas pela técnica, mas pelo que comunica.

De um único bloco de mármore, Michelangelo transmitiu a morte, beleza, maternidade e talvez o arrependimento.

E, para além dos detalhes do rosto de Jesus Cristo e das mãos de Maria, ali também está o nome que o próprio gênio deixou gravado na pedra.

A beleza já foi vista como um caminho para a verdade, para a ordem e para o sentido.

Mas a modernidade mudou a forma como olhamos para o mundo. A arte, a arquitetura e a cultura passaram a refletir uma sociedade cada vez mais fragmentada e distante daquilo que antes elevava o espírito humano.

Para entender como chegamos até aqui, a Brasil Paralelo produziu a trilogia O Fim da Beleza.

A série reúne nomes como Theodore Dalrymple, Iain McGilchrist, Jonathan Pageau, Ann Sussman e Nikos Salingaros para investigar o mal-estar moderno, a arte contemporânea, o relativismo da beleza e a subversão da cultura.

Assista à trilogia O Fim da Beleza na Brasil Paralelo.

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