Painéis produzidos na Alemanha e desenhados por artistas brasileiros vêm sofrendo danos há mais de um século.

Quem passou recentemente pela Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, encontrou uma cena incomum. Alguns vitrais da Igreja sumiram. Mas não há motivo para o susto, em breve eles voltarão para o lugar.
Isso porque, pela primeira vez desde que foram instaladas, em 1899, as peças foram totalmente retiradas para uma restauração considerada histórica.
Ao todo, três vitrais estão em processo de recuperação. O principal retrata a Virgem Maria com o menino Jesus. Os dois laterais mostram anjos. Para a restauração, foi necessário desmontar cuidadosamente 117 painéis de vidro e chumbo.
O trabalho foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e conta com financiamento da Fundação Gerda Henkel, da Alemanha, além de apoio do Consulado Alemão.
O projeto é coordenado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) em parceria com a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária.
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Os vitrais foram produzidos na Alemanha, pelo Real Estabelecimento de Vidraças Artísticas de F. X. Zettler, em 1898.
Os desenhos são assinados pelos artistas brasileiros João Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli.
Ao longo de mais de um século, as peças enfrentaram poluição, maresia, infiltrações, trepidações causadas pelo trânsito intenso da região central e até atos de vandalismo.
De acordo com a restauradora Cláudia Nunes, técnica do Iphan, a retirada permitiu identificar danos que não eram visíveis anteriormente.
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Parte da restauração envolve a importação de vidros especiais da Alemanha, produzidos com características semelhantes às originais do século XIX.
O processo inclui limpeza especializada, recuperação das pinturas, tratamento de rachaduras e recomposição de partes quebradas.
Também será instalado um novo sistema de ventilação para reduzir a umidade nos painéis, considerada uma das principais ameaças à conservação dos vitrais.
Além disso, telas metálicas e vidraças de proteção devem ser adicionadas, seguindo modelos já utilizados em igrejas europeias.
Cursos sobre técnicas de restauro em vitrais passaram a ser oferecidos a especialistas em patrimônio cultural. A iniciativa ainda prevê seminários, exposições e a publicação de um livro sobre o processo.
A previsão é que os vitrais retornem à igreja no segundo semestre de 2026.
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