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200 anos de Dom Pedro II: conheça a vida e a trajetória do imperador do Brasil

Apaixonado pela ciência, o monarca governou o Brasil dos 14 anos até os 63 anos.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Dom Pedro II, imperador do Brasil
Fonte da imagem: Rastro Ancestral

Um homem culto com longas barbas brancas apaixonado pelas ciências, assim que muitos se lembram de Dom Pedro II, o imperador que liderou o país por quase 50 anos.

Pedro nasceu no dia 2 de dezembro de 1825, no Palácio de São Cristóvão. O quarto filho de Dom Pedro I com a imperatriz Maria Leopoldina, ele herdou o trono por conta da morte de seus irmãos mais velhos.

Sua mãe faleceu em 1826, quando ele tinha apenas um ano. Quatro anos depois, seu pai deixou o Brasil em meio à turbulência política e retornou a Portugal, onde lutou em uma guerra civil contra o próprio irmão.

Dom Pedro II passou a ser tutorado por José Bonifácio, que foi afastado em 1833 em meio a articulações políticas. Ele foi substituído por Manuel Inácio de Andrade Souto Maior, o Marquês de Itanhaém.

Na época o Brasil era governado por regentes escolhidos por Dom Pedro I enquanto seu filho não alcançasse idade suficiente para assumir o posto de imperador.

Ascensão política e o golpe da maioridade 

Coroação de Pedro II. Imagem: Politize!

A época, que ficou conhecida como Período Regencial, foi marcada por instabilidades políticas e disputas de poder nas elites. As principais revoltas foram:

  • Cabanagem (Pará);
  • Balaiada (Maranhão);
  • Revolta dos Malês (Bahia);
  • Sabinada (Bahia); e 
  • Revolução Farroupilha (Rio Grande do Sul)

Para restaurar a ordem, as elites políticas associadas ao que se tornaria o partido Liberal sua chegada ao trono. 

Com apenas 14 anos, ele foi coroado imperador em um evento que ficou conhecido como o “Golpe da Maioridade”.

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Um imperador das artes, das ciências e do progresso

Dom Pedro II observando o planeta Vênus na luneta de 24 cm do Observatório de Juvisy, na França
Gravura de Dom Pedro II observando o planeta Vênus na luneta de 24 cm do Observatório de Juvisy, na França. Imagem: Sociedade Astronômica da França

Dom Pedro II construiu uma imagem muito além do poder político: foi, sobretudo, um intelectual e patrono das artes e das ciências

Culto e curioso, mantinha correspondência com cientistas e pensadores europeus, participando de feiras de inovações.

Durante seu reinado, foram realizadas transformações importantes na economia e na infraestrutura, como estradas de ferro, telefone, instalação de gás nas ruas, expansão da agricultura e do comércio.

Além disso, o imperador promoveu o país para o exterior. Falante de mais de 20 idiomas, o monarca manteve contato com personalidades internacionais e buscando tornar o Brasil parte do mundo moderno.

A luta pela abolição da escravidão

Embora o regime escravocrata persistisse durante boa parte de seu governo, Dom Pedro II conviveu com o movimento escravagista.

Segundo o historiador Paulo Rezzutti para o portal Aventuras na História, o imperador defendia uma abolição gradual, uma vez que temia perder o trono para a elite escravocrata.

Leis importantes para impossibilitar a escravidão de forma lenta marcam esse período, como: 

  • a Lei Eusébio de Queirós, 1850 (proibição do tráfico negreiro);
  • a Lei do Ventre Livre (1871); e
  • a Lei dos Sexagenários (1885).

Ele também explicou que sua ausência na assiantura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão, fazia parte de uma estratégia para dar mais protagonismo a sua filha, a princesa Isabel.  

O fim da monarquia: exílio e morte

Gravura retratando o funeral de Dom Pedro II. Imagem: Aventuras na História.

Com o desgaste político, o ideal republicano ganhou força política. Em 15 de novembro de 1889, a monarquia foi derrubada e proclamada a República

No dia seguinte, Dom Pedro II e sua família foram expulsos do país. Dom Pedro morou em Paris, cultivando seu amor por livros, estudos e cultura.

Em 5 de dezembro de 1891, aos 66 anos, Dom Pedro II faleceu vítima de pneumonia. Seus restos mortais só retornaram ao Brasil em 1921, após a revogação das leis de banimento.

Ele foi enterrado junto com um saco de terra brasileira, que foi encontrado em seus aposentos com a mensagem:

É terra de meu país. Desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”. 

Suas últimas palavras foram: “Deus que me conceda esses últimos desejos, paz e prosperidade ao Brasil”.

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