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13 de maio: conheça o processo que levou à assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel

Abolição foi o resultado de uma longa luta que reuniu intelectuais, escravos e membros da família real.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Assinatura da Lei Áurea. Quadro
Fonte da imagem: Reprodução

O dia 13 de maio de 1888 foi uma das datas mais importantes para a história brasileira.

Foi nesse dia que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que pôs um fim definitivo à escravidão legal no país.

O que poucas pessoas sabem é que isso não foi um ato isolado, mas sim uma conquista marcada por lutas que atravessaram séculos.

Durante mais de 300 anos, o Brasil sustentou grande parte de sua economia na mão de obra escravizada

Estimativas apontam que quase 5 milhões de africanos escravizados foram trazidos ao país ao longo desse período

O trabalho escravo esteve presente nos ciclos do açúcar, do ouro, do café, do algodão e de praticamente toda a estrutura econômica do Brasil colonial e imperial.

O processo que pôs um fim a essa prática contou com o apoio de intelectuais, ex-escravizados e até mesmo a luta de membros da Família Real.

Revoltas de escravos marcaram a luta por séculos

Durante séculos, escravos fugiram se seus senhores e passaram a lutar contra a escravidão.

Eles se organizavam em vilas próprias, que ficaram conhecidas como quilombos. A palavra vem de Angola e significa forte ou acampamento de guerra.

O Quilombo mais famoso foi o de Palmares e seu líder mais famoso ficou conhecido como Zumbi.

A organização chegou a abrigar entre 20 e 30 mil pessoas e durou por mais de 100 anos

Ocorreram também revoltas de escravos marcantes, sendo uma das mais icônicas a de Malês, liderada por escravos muçulmanos que conseguiam se comunicar em árabe.

Essa resistência negra alimentava o temor do haititismo, uma revolução de escravizados aos moldes do que aconteceu na ilha de São Domingo em 1804.

O projeto de acabar com a escravidão começou antes da Lei Áurea

Muito antes de 1888, já existiam tentativas de reduzir a escravidão no Brasil. Em 1810, o acordo de amizade entre Portugal e a Inglaterra previa um fim gradual da escravidão.

Porém o recém formado governo brasiliero após a independência ignorou a promessa e se esforçou para desviar a pressão britânica.

Uma das primeiras iniciativas para acabar com a escravidão aconteceu ainda no período regencial, com a chamada Lei Feijó, de 1831.

A norma proibia o tráfico de escravos africanos, porém quase não foi aplicada e acabou ficando conhecida como “lei para inglês ver”.

O advogado e ativista negro, Luís Gama, utilizava essa lei para defender escravos, provando na Justiça que eles chegaram depois da lei ser implementada.

Para aumentar a pressão contra o país, o império britânico elaborou a Lei Bill Aberdeen, segundo a qual a marinha real poderia apreender navios negreiros e julgar os tripulantes em seus tribunais.

Em resposta, o Brasil criou a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, fazendo o tráfico negreiro ser efetivamente combatido

Depois vieram outras medidas graduais, como a Lei do Ventre Livre, que declarava livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data.

Os grandes fazendeiros e setores da elite agrária temiam perder sua principal força de trabalho

Muitos defendiam uma transição lenta, argumentando que uma ruptura imediata poderia provocar crises econômicas e conflitos internos.

A campanha abolicionista tomou as ruas do Brasil

No fim da Guerra do Paraguai, em 1870, o movimento abolicionista ganhou força popular.

Pela primeira vez, o Brasil viu grandes campanhas públicas organizadas em torno de uma causa nacional

Comícios, saraus, peças de teatro, jornais e manifestações passaram a mobilizar milhares de pessoas.

Nomes como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças e Luís Gama se tornaram símbolos dessa campanha.

Nabuco inclusive defendia estratégias pacíficas para a abolição, para evitar um conflito semelhante à guerra civil americana.

Em sua visão, a sociedade brasileira não tinha uma guerra de raças e era necessário uma campanha que não criasse esse problema. Esse pensamento influenciou o sociólogo Gilberto Freyre.

Dom Pedro II e a princesa Isabel apoiavam a abolição

A abolição também encontrou apoio dentro da monarquia. Dom Pedro II era descrito por contemporâneos como alguém favorável ao fim da escravidão

O imperador evitava aparições públicas sendo carregado por escravos e tentava usar sua posição como exemplo simbólico para a sociedade.

Mas havia limites políticos. O trono dependia do apoio econômico e político dos grandes fazendeiros escravistas

Por isso, qualquer mudança mais brusca colocava em risco a estabilidade do Império e a integridade do país.

Quando Dom Pedro II viajou para a Europa para tratar problemas de saúde, a regência ficou nas mãos de sua filha, Princesa Isabel.

Ela assumiu protagonismo na reta final da campanha abolicionista. Segundo relatos históricos, ao ouvir que a assinatura da Lei Áurea poderia provocar a queda da monarquia, Isabel respondeu:

Eu pago qualquer preço para libertar esses homens.”

O Brasil viveu dias de festa após a abolição

A notícia da assinatura da lei se espalhou rapidamente pelo Rio de Janeiro, então capital do Império.

As ruas foram tomadas por festas, discursos, passeatas, missas e fogos de artifício. Segundo relatos da época, a celebração durou dias.

O escritor Machado de Assis afirmou que aquele foi “o único dia de delírio público” que se lembrava de ter visto.

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Uma das produções mais assistidas da Brasil Paralelo, esta série foi responsável por fazer milhares de brasileiros se orgulharem do país

Assista abaixo ao quinto episódio, que trata sobre a abolição da escravidão, completo abaixo: