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A histórica relação entre o surgimento das creches e o movimento feminista

A primeira creche é datada de 1844, mas a sua popularização só veio com a entrada das mulheres no mercado de trabalho.

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Redação Brasil Paralelo
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Audre Lorde dá palestra para estudantes no Atlantic Center for the Arts em New Smyrna Beach, Flórida. Robert Alexander, Archive Photos, Getty Images. (Nota: a mensagem da imagem foi traduzida por Inteligência Artificial)
Fonte da imagem: Audre Lorde dá palestra para estudantes no Atlantic Center for the Arts em New Smyrna Beach, Flórida. Robert Alexander, Archive Photos, Getty Images. (Nota: a mensagem da imagem foi traduzida por Inteligência Artificial)

O nome creche tem origem na palavra crèche, do francês, e foi implantado pela primeira vez por Jean-Baptiste Firmin Marbeau. Antes disso, já existiam modelos de assistência e educação de crianças, mas esse foi o formato embrionário da forma que conhecemos hoje. 

O propósito era oferecer um espaço de cuidado e atenção exclusivo para as crianças de famílias pobres cujas mães precisavam sair de casa para trabalhar.

Essas iniciativas francesas nasceram como uma tentativa de intervir no contexto da época, em que as crianças eram frequentemente vítimas da miséria, dos maus-tratos e do abandono enquanto os pais se ausentavam para o trabalho.

Além das crianças, as mães

As creches surgiram com um objetivo duplo. Além do já apresentado interesse de assistir socialmente as crianças, existia o interesse econômico de liberar a mulher para o mercado de trabalho. 

Essa intenção de amparar as mães trabalhadoras fica evidente na própria definição adotada pela Sociedade de Creche em Paris (cujo estatuto serviu de modelo para outros países), que a descrevia como uma instituição caritativa destinada a receber bebês e crianças pobres menores de dois anos "cujas mães trabalham fora do seu domicilio e tenham uma boa conduta".

De um “mal necessário” para “direito das mulheres”

Até meados do século XX, essas instituições tinham caráter assistencialista. Eram mantidas por iniciativas filantrópicas ou religiosas e voltadas principalmente para filhos de mulheres pobres, especialmente operárias e trabalhadoras domésticas. 

Nesse período, a creche era vista como um recurso necessário, mas não como parte de uma política estruturada.

Esse cenário começou a mudar a partir da década de 1970 

Com o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e o avanço de movimentos sociais, a demanda por creches ganhou novo significado. 

Movimentos feministas, sindicais e populares passaram a reivindicar o acesso à creche como um direito das mulheres trabalhadoras garantido pelo Estado.

O feminismo e as creches

A mobilização se intensificou no final dos anos 1970 e ao longo da década de 1980, com destaque para o Movimento de Luta por Creches. A pauta ganhou força durante o processo da Assembleia Constituinte.

A principal decisão veio em 1988 

A nova Constituição passou a reconhecer o atendimento em creches e pré-escolas como um direito da criança e um dever do Estado, consolidando uma mudança de paradigma: de assistência social para política pública.

Crianças de 4 a 5 anos são obrigadas a estarem na pré-escola

O que a princípio parece ser algo apenas positivo, esconde riscos para as crianças. Cada vez mais distante dos seus pais, pesquisas têm mostrado consequências ocultas para os menores que passam uma longa quantidade de horas em escolas e creches. 

Um tema sensível que exige análise para não cair em simplismos. Convidamos mães e especialistas em educação de criança para entender o que separa o remédio do veneno quando se fala de educação. 

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