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Lula sanciona novo PNE com metas de alfabetização e diretrizes sobre raça, clima e ideologia nas escolas

Documento aprovado pelo Congresso estabelece diretrizes para os próximos dez anos.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Lula
Fonte da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O  presidente Lula sancionou o novo Plano Nacional de Educação. A Lei nº 15.388 estabelece os caminhos que vão orientar as políticas de ensino no Brasil pelos próximos dez anos.

O documento lista objetivos e metas para cada etapa do ensino

O PNE é o mapa da educação brasileira. Sem ele, estados e municípios não têm referência legal para organizar suas próprias políticas de ensino.

O anterior venceu em 2024 e o país ficou mais de um ano sem um plano vigente.

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O que o plano quer alcançar?

As metas são ambiciosas. Até o final de cinco anos, 80% das crianças devem estar alfabetizadas ao fim do segundo ano do ensino fundamental. Até o final do decênio, esse número deve chegar a 100%.

O investimento público em educação deve atingir 7,5% do PIB em sete anos e 10% ao final do plano.

O documento também estabelece que todas as escolas públicas devem ter internet de alta velocidade até o final dos dez anos, e que os currículos precisam incluir:

  • educação digital;

  • inteligência artificial;

  • os impactos do uso de celulares e redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes.

Obrigatoriedade na história e na cultura afro-brasileira

Embora o texto evite termos que polarizaram o debate público nos últimos anos, como a palavra "gênero", o PNE inclui uma série de diretrizes que podem acender discussões.

O conceito de equidade é um dos pilares centrais. O plano exige que a redução de desigualdades na aprendizagem e o combate à evasão sejam monitorados obrigatoriamente por recortes de raça, cor, sexo e nível socioeconômico.

O documento também reforça a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena em todos os níveis.

Outro ponto é a adoção oficial da "interseccionalidade" como abordagem para resolver problemas da educação.

O termo, de origem sociológica, descreve a sobreposição de vulnerabilidades, como ser simultaneamente negro, pobre e mulher, e fundamenta as exigências de ampliação de políticas afirmativas, como cotas e assistência estudantil no ensino superior.

Na educação profissional, o plano determina a criação de políticas específicas para incluir mulheres em áreas onde são minoria.

No ensino superior, exige estratégias de acesso e permanência em cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática "preferencialmente para mulheres".

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Problemas climáticos também entram em pauta

O tema climático também entra com força. Até o final da década, todas as redes de ensino deverão ter planos para adaptação às mudanças do clima. O documento incentiva ainda a criação de cursos com foco em economia verde e bioeconomia.

Na formação de professores, o plano exige que os currículos das licenciaturas tenham obrigatoriamente a "educação para as relações étnico-raciais" e a "educação anticapacitista".

O segundo termo se refere ao combate à discriminação de pessoas com deficiência.

A deputada Tabata Amaral, que presidiu a comissão do PNE na Câmara, celebrou a aprovação. "Estamos vivendo um momento histórico na educação do Brasil", publicou nas redes sociais.

O plano entra em vigor imediatamente. Estados têm 12 meses para publicar seus próprios planos de educação. Municípios têm 15 meses.

Educação é tema do novo documentário da Brasil Paralelo

O novo PNE define metas para o ensino básico e superior. A Brasil Paralelo investiga o que acontece antes disso.

Em Pedagogia do Abandono, a nova produção examina os primeiros anos de vida, a fase em que o cérebro forma as conexões que vão influenciar tudo o que vem depois.

O documentário questiona o que acontece quando esse período decisivo é entregue a um sistema marcado por baixa qualidade e disputas ideológicas.

Entre os temas abordados estão a teoria do apego, o impacto de longos períodos em creches, a escolarização precoce e a distância entre o que a ciência aponta e o que prevalece nas políticas públicas.

A parte 1 será exibida gratuitamente no dia 20 de abril, às 20h.

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