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Lula causa polêmica ao elogiar estudantes cearenses: “Não é só cabeça grande, não, é inteligência"

Ceará é hoje o estado com maior eficácia escolar do Brasil e tem cidade que saiu do lugar 1.366 para o 1º no ranking de educação.

Por
Gabriel Costa
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.
Fonte da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ao comentar a decisão de inaugurar uma unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica em Fortaleza, o presidente Lula disse que a medida é uma premiação para o Ceará porque 40% dos alunos que entram no ITA são cearenses.

Em seguida, brincou: "Não é só cabeça grande, não, é inteligência, cara."

A expressão é considerada pejorativa. Em 2020, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de críticas ao fazer referência semelhante à população do estado.

Cidade cearense lidera Ranking de educação

Mas os números da educação cearense chamam atenção. E a história por trás deles começa em uma cidade no norte do estado.

No ano 2000, mais de 40% das crianças de oito anos em Sobral, uma das principais cidades do estado, não sabiam ler.

A cidade ocupava a posição 1.366 no ranking do IDEB entre municípios com mais de 100 mil habitantes. Vinte e seis anos depois, chegou ao primeiro lugar.

O modelo de Sobral inspirou programas em todo o Ceará. Hoje, o Ceará é o estado com maior eficácia escolar do Brasil.

O que aconteceu em Sobral?

Em entrevista à Brasil Paralelo, a pesquisadora Ilona Becskeházy, doutora em política educacional pela USP, explicou que a transformação começou com uma decisão política e moral.

No entanto, o modelo não é amplamente replicado a nível nacional. O documentário Pedagogia do Abandono aponta que a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, a ANPEd, publicou trabalhos classificando a abordagem de Sobral como "escolarização precoce", "mecanicista" e "neoliberal-autoritária".

Para Becskeházy, evidências científicas e resultados concretos são negligenciados quando a ideologia fala mais alto.

Para ela, o resultado foi a expansão espontânea do método para toda a rede municipal.

"O Brasil até já tem o método correto. O que falta é a decisão moral de alfabetizar", disse Becskeházy.

Ilona Becskeházy está no novo documentário da BP

Em Pedagogia do Abandono, a produção investiga o que acontece com os anos mais decisivos do desenvolvimento de uma criança.

O foco é um sistema marcado por baixa qualidade e disputas ideológicas.

 A parte 1 será exibida gratuitamente no dia 20 de abril, às 20h.

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